04/07/2026
Suspense Drama

A Colmeia

Uma família de imigrantes alemães vive numa casa isolada, no interior do sul do país nos anos de 1940, tentando se manter invisível ao restante do mundo. Mas acontecimentos inesperados transformam a aparente harmonia familiar.

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Dirigido por Gilson Vargas, A Colmeia é um filme de silêncios e estranhamentos. O cenário é uma casa semi-isolada no interior do sul do país, onde vive uma família de imigrantes alemães, na década de 1940. Ao centro do filme, uma família num mundo que não é o seu, presa entre suas antigas tradições e um presente que deságua na violência e incompreensão.
 
Premiado no Festival Internacional de Zaragoza e cinco Kikitos na mostra gaúcha do 49º Festival de Cinema de Gramado (direção, ator, fotografia, som e arte), o longa prima por sua contenção e uma bela fotografia em tons frios, assinada por Bruno Polidoro. Vargas constrói um longa em seus silêncios, em poucos diálogos e em momentos de desespero dos personagens.
 
A família é formada pelos pais Bertha (Janaina Pelizzon) e Werner (Rafael Franskowiak), os filhos adultos Kasper (Samuel Reginatto), Uli, (Martina Fröhlich) Lila (Renata de Lélis) e os gêmeos adolescentes Christoffer (João Pedro Prates) e Mayla (Andressa Matos), além da empregada Erika (Thais Petzhold). Nesse pequeno universo, cria-se uma dinâmica de paixões, amores, ódios e explosões que parecem ir além dos laços de família.
 
O que parecia mergulhado apenas nos pensamentos – ou acontecendo de forma discreta – nessa família começa vir à tona quando Christoffer tem um primeiro episódio de convulsão – algo inexplicável e quase incompreensível ali, especialmente para sua irmã gêmea, de quem ele é bem próximo.
 
Cada personagem terá seu próprio tempo de desconstrução, e o que, a princípio, parecia uma família centrada, se revela doentia e preconceituosa, fruto de um momento histórico de guerra e repressão, não apenas sexual, até mesmo identitária. Naquela época de II Guerra, os alemães, por exemplo, não podiam falar sua língua. Uma cena em particular também mostra o tratamento dado aos índios na região.
 
Há claros contrapontos entre as personagens masculinas e femininas, cada grupo num mundo com regras sociais e emocionais próprias, o que gera conflitos internos e externos, além de selar os destinos a partir de seus papeis sociais, que mascaram a força motriz dessa família.
 
A Colmeia é um filme de força peculiar, em particular em seu visual marcado por tons verdes e um cinza prateado que parece tornar as personagens ainda mais pálidas e de aparência mais doentia do realmente são. Sua abordagem da intolerância e incompreensão, embora situada numa trama do passado, ressoa como temas relevantes para o presente.
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