04/07/2026
Drama Comédia

Paradise - Uma nova vida

Depois de denunciar um assassino mafioso, Calogero entra para um programa de proteção de testemunhas, trocando sua ensolarada Sicília por uma aldeia coberta de neve, na fronteira com a Eslovênia e a Áustria. Mas, um dia, chega por ali ninguém menos do que o homem que ele denunciou, também chamado Calogero.

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Diretor de carreira tardia, Davide Del Degan estreia na ficção com este longa, que parte de um argumento seu e, de saída, desafia a lógica e mistura os gêneros, imaginando o encontro acidental, numa aldeia na fronteira entre Itália, Eslovênia e Áustria, entre um denunciante de assassinato mafioso e o denunciado, ou seja, o matador. 
 
Potencial cômico e dramático não falta a esta situação, que ocorre na remota Sauris di Sotto, vilazinha coberta de neve nos Alpes italianos, entre Calogero (Vincenzo Nemolato), o denunciante, e outro Calogero (Giovanni Calcagno). Num lugarejo em que se falam as três línguas da tríplice fronteira e todo mundo se conhece pelo menos de vista, não é difícil para o primeiro Calogero identificar a chegada de um compatriota - cuja face, aliás, lhe recorda sua denúncia, que acarretou seu deslocamento da Sicília natal a este fim de mundo serrano, desterrado como único habitante de um hotel totalmente vazio, ironicamente batizado como Paradise.
 
O filme extrai elementos de medo e tensão com a chegada do segundo Calogero, que cria a expectativa no primeiro de que seus dias estão contados e que não lhe valeu nada o impulso de colaboração com a justiça, que o colocou no programa de proteção de testemunhas. Que proteção é essa que o põe na mira do assassino? 
 
O roteiro, assinado por Andrea Magnani, no entanto, revela a disposição de explorar mais a fundo os limites entre o thriller e a comédia, colocando os dois Calogeros no mesmo barco, ou seja, como testemunhas protegidas pelo governo que somente a confusão do sistema houve por bem colocar no mesmíssimo lugar.
 
Estabelecida a situação absurda, esboça-se uma forma de convivência que aponta possibilidades de troca entre duas pessoas que, apesar do mesmo nome, são tão diferentes no físico e na personalidade, como um Gordo e o Magro revisitados em outro contexto. 
 
Se caminha razoavelmente bem criando situações no limite do humor negro - além da comicidade infame da dança local, a Schuhplattier, e seus tapas nas coxas e nádegas dos participantes -, já não vai tão bem a história ao delinear de maneira tão pífia suas personagens femininas. Especialmente a mulher do primeiro Calogero (Selena Caramazza), que bem poderia ter mais bem explorada sua resistência a juntar-se ao marido na aldeia nevada. Por conta disso também, a virada que se esboça na parte final é particularmente mal-engendrada, reiterando uma veia meio machista que não nada de engraçado. .

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