O fato de contar como protagonista com um ator tão carismático quanto o inglês Idris Elba conta muito a favor do engajamento do público. Capaz de defender personagens heroicos, de Nelson Mandela (em Mandela - O Caminho para a Liberdade) a Heimdall (na franquia Thor), Elba tem nuances verdadeiramente amplas de atuação que permitem que se simpatize totalmente com ele e se deixe passar eventuais exageros - como seus mano a mano com o leão. Mas que tudo isso funciona a favor do filme se confirmar como diversão eletrizante, lá isso funciona. E as garotas Ilyana Halley e Leah Jeffries cumprem seu papel de humanizar várias situações.
Depois da morte da mulher, uma fotógrafa sul-africana, o médico Nate decide fazer uma viagem de férias à terra natal dela com as duas filhas, Mare e Norah, com quem o relacionamento está estremecido. Lá chegando, hospeda-se na reserva de um velho amigo, Martin. Mas o sáfari fotográfico acaba tornando-se uma jornada de sobrevivência, pois há um leão selvagem e feroz à solta.
- Por Neusa Barbosa
- 08/08/2022
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Dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur, um especialista em filmes sobre sobrevivência (como Evereste e Vidas à Deriva), A Fera sintoniza um velho charme nostálgico das aventuras dos anos 1930, como King Kong, atualizando-as com um tempero extra de drama familiar.
O dilema que fragiliza as relações entre um pai viúvo, o médico Nate (Idris Elba), e suas filhas adolescentes, Mare (Ilyana Halley) e Norah (Leah Jeffries), é só um contexto inicial. O roteiro de Ryan Engle e Jaime Primak Sullivan aposta mesmo na adrenalina que é capaz de causar um leão furioso, solto numa reserva em Mopane, África do Sul, com um comportamento altamente mortífero e fora do padrão. Ele ataca inúmeras vítimas, mas não devora nenhuma, deixando um rastro de sangue e medo.
Há motivações por assim dizer naturais para esse surto do leão - seu clã foi vítima dos caçadores ilegais que rondam a área, dizimando suas leoas. Só ele escapou e com sede de vingança contra os homens que causaram tudo isso e ele não tem como diferenciar os humanos inocentes dos culpados.
Nate e as filhas vieram para a reserva, hospedados na casa de um de seus administradores, Martin (Sharlto Copley), velho amigo de Nate. A ideia é recuperar os laços abalados entre pai e filhas depois da morte da mãe, uma africana. A aventura deles, que seria um sáfari fotográfico - Mare segue os passos da mãe fotógrafa -, rapidamente se transforma numa jornada de pesadelo, com os ataques do leão forasteiro e descontrolado em sua fúria.
A história é conduzida de maneira a produzir muitos sustos, com este leão atacando o jipe onde a família e Martin realizavam o passeio na reserva, investindo contra vidros e portas e provocando sucessivas situações-limite. É evidente que a família não ficará todo o tempo no jipe destroçado. Eles terão de aventurar-se pelo território desconhecido, em busca de outros refúgios, outras armas e outras táticas de enfrentamento de um animal que muitas vezes parece sobrenatural, em sua força e resistência.
