04/07/2026
Drama

Minha Pequena Terra

Sarya é a filha mais velha de uma pequena família curda que imigrou para o Japão por perseguição política na Turquia. Ela tem 17 anos e está para entrar na universidade. Seu futuro, assim como de seus dois irmãos menores, fica em suspenso quando seu pai tem recusado seu pedido de asilo como refugiado. No Belas Artes à la Carte.

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O longa de estreia da jovem diretora japonesa Emma Kawawada, Minha Pequena Terra, mostra bem sua filiação profissional. Afinal, ela vem de ser assistente do premiado Hirokazu Kore-eda no longa O Terceiro Assassinato (2017). Emma demonstra a mesma delicadeza para perfurar a superfície de um assunto dramático, os dilemas de refugiados no Japão, levantando a ponta do véu da xenofobia. 
 
No centro de sua história, está uma família curda, que fugiu da Turquia por motivos políticos há alguns anos. Radicados no Japão, todos os seus quatro membros são fluentes em japonês. As crianças, inclusive, não têm mais memória de sua língua ou da terra natal, apesar dos esforços do pai viúvo, Mazlum, que trabalha em demolições, enquanto espera a análise de seu pedido de asilo como refugiado político.
 
A protagonista é Sarya (Lina Arashi), a filha mais velha, de 17 anos. Garota estudiosa, ela se prepara para entrar na universidade. Por ser a mais velha, seu pai deposita nela muitas expectativas. Ela funciona como tradutora para a comunidade curda, cujos membros têm dificuldades com a língua e os inúmeros procedimentos burocráticos. Seu pai também espera que ela se case com um dos rapazes curdos. Mas Sarya resiste a seguir a tradição - ilustrada pela bela cena de casamento que abre o filme, revelando a energia das canções, o colorido das vestes da comunidade mas também o costume dos matrimônios arranjados dentro de um pequeno círculo étnico e familiar.
 
Um dia, toda esta expectativa de futuro se rompe, quando o pedido de asilo de Mazlum é recusado. Isto significa que ele não pode mais trabalhar e que nenhum membro da família pode mais sair de Saitama, subúrbio de Tóquio - onde Sarya tem um emprego em tempo parcial, num mercadinho, onde trabalha Sota (Daiken Okudaira), por quem ela está se apaixonando.
 
Focando nesta pequena família, a diretora revela uma face nada edificante de um Japão aparentemente civilizado - a da intolerância contra os estrangeiros. Segundo o jornal The Japan Times, de 10.375 pedidos de asilo de refugiados, foram concedidos apenas 44 no país em 2019. Os 17 centros de detenção para imigrantes ilegais, espalhados pelo país, são conhecidos por seu tratamento duro. 
 
O filme explora de maneira intimista um aspecto da realidade, mostrando as portas se fechando para Mazlum, Sarya e seus irmãos menores à medida em que este cerco burocrático se nega a reconhecer seu estado. Caso seja obrigado a voltar à Turquia, Mazlum será preso. E o que será de seus filhos, se ele não puder mais cuidar deles? A história desdobra muitos aspectos deste enfrentamento com a realidade em que Sarya se verá frente a frente com desafios cada vez maiores e Mazlum, com uma escolha verdadeiramente dilacerante. 
 
Atriz estreante, a jovem Lina Arashi é de origem iraniana e conhece de perto a saga que interpreta. O filme foi exibido na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim, onde colheu uma Menção Especial do Júri da Anistia Internacional. 
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