Eve cuida da empresa de produção de rosas raras deixada por seu pai quando morreu há 15 anos. Ela acredita num método exclusivo e artesanal de produzir as flores, mas a concorrência com uma grande empresa está ameaçando seu negócio. A chega de três presidiários que precisam ser reintegradas à sociedade poderá mudar o destino de Eve.
- Por Alysson Oliveira
- 29/08/2022
- Tempo de leitura 2 minutos
É a velha história de Davi contra Golias o francês Entre Rosas, mas é feito com tanto cuidado e humanidade, e uma interpretação tão inspirada da grande Catherine Frot, que é quase impossível resistir ao filme mesmo que por fora seja apenas uma simpática flor sem um perfume marcante.
Frot interpreta Eve Vernet, produtora de rosas de competição numa cidade no interior da França. Sua empresa, que herdou do pai, é pequena e está afundando em dívidas. A única funcionária é Vera (Olivia Côte), uma espécie de faz-tudo, em especial os serviços burocráticos. Após perder mais uma vez um concurso de rosas para uma grande empresa, a protagonista está pronta para jogar a toalha Mas as coisas mudam.
Vera resolve colocar a empresa num programa de ressocialização de presidiários e traz para trabalhar com elas Samir (Fatsah Bouyahmed), Fred (Melan Omerta) e Nadège (Marie Petiot), três pessoas sem qualquer experiência em jardinagem que Eve passa a ver como três problemas em seu viveiro de rosas.
Não é difícil imaginar para onde o filme caminha enquanto a protagonista tenta resistir às investidas do CEO da grande empresa que aspira comprar o seu pequeno negócio e contratá-la como funcionária. É em nome da obra de seu pai, que Eve tenta resistir. E irá aprender algumas coisas com os três novatos.
Dirigido por Pierre Pinaud, cuja família trabalhou no ramo de flores exóticas, Entre Rosas trata da resistência. Eve, por exemplo, chama de flores aquilo que seus concorrentes chamam de produto. Uma realidade, aliás, não muito diferente na indústria cinematográfica, na qual o que as pequenas produtoras e distribuidoras chamam de filme, os grandes estúdios classificam de produto.
Frot é uma das maiores atrizes francesas da atualidade, repleta de nuances, desde a tresloucada milionária de Marguerite, até a interpretação contida aqui. Ela tem boas cenas ao lado de Omerta, um músico que estreia no cinema, como um jovem rebelde renegado pelos pais, mas dono de um dom que poderá transformar sua vida e irá ajudar o viveiro de Eve num momento crucial.
