18/07/2026
Suspense

A queda

Ao ver seu marido cair e morrer enquanto escalavam uma montanha, Becky cai numa depressão. Mas sua melhor amiga, também alpinista, tem a brilhante ideia de que elas devem escalar uma antiga torre de rádio. Ao chegarem ao topo, a 600m de altura, a escada por onde subiram desaba e elas devem procurar um meio de salvar suas vidas.

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A queda, de Scott Mann, parte de uma premissa simples: duas jovens alpinistas resolvem escalar uma torre de rádio abandonada de pouco mais de 600 m. Chegando ao topo, a escada enferrujada por onde subiram desaba e elas ficam presas lá em cima, tentando sobreviver e conseguir ajuda para descer. O filme promete vertigem e cenas empolgantes, numa narrativa tensa.
 
A premissa traz tudo isso, mas o resultado final, não. Com mais de 100 minutos, o longa parece infindável. Piora ainda o fato de que Becky (Grace Caroline Currey) e Hunter (Virginia Gardner) são personagens rasas, destituídas de qualquer complexidade que pudesse fazer o público se importar com elas. Some-se a isso as interpretações insossas da dupla central.
 
O que é feito muito bem neste filme é a parte técnica. A construção da tensão, na subida, é real, assim como a sensação de vertigem e antecipação do que irá acontecer. O problema é que, quando a escada desaba, A queda desaba junto. As tentativas de se salvar das garotas são esdrúxulas, embora plausíveis: como utilizar o drone que levam consigo.
 
A queda não é bem o tipo de filme que pediria veracidade, e a graça está nisso mesmo, no exagero, no improvável e no real. Outro elemento importante é que as personagens sejam, ao mesmo tempo, espertas, mas um pouco tapadas também. Tudo isso está aqui, mas nada funciona direito.
 
Filmes como Medo Profundo, no qual duas moças ficavam presas no fundo do mar, e Águas Rasas, em que Blake Lively interpreta uma surfista presa no meio do oceano com um tubarão ao seu redor, provam que o gênero pode render coisas boas. A queda, por sua vez, recicla e toma emprestado vários elementos de outros filmes sem qualquer pudor, mas os usa mal.
 
A justificativa para a escalada é a mais sem sentido. Becky ficou traumatizada ao ver seu marido, que escalava uma montanha com ela e Hunter, cair e morrer. Para superar isso, a amiga a leva para escalar uma torre abandonada longe da civilização. As jovens, supostamente, são alpinistas experientes, mas não notam as condições precárias da torre enquanto a escalam?
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