19/08/2026
Romance Drama

Mi iubita, meu amor

Pouco antes de se casar, a francesa Jeanne viaja para o leste europeu com um grupo de amigas. Elas cabam sendo ajudadas por uma família cigana quando o carro delas é roubado. Mais tarde, ela se envolve amorosamente com um adolescente dessa família.

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Noémie Merlant, uma das protagonistas de Retrato de uma jovem em chamas (a outra é Adèle Haenel), estreia como diretora de longas em Mi iubita, meu amor, uma comédia dramática romântica meio solta, mas com muitas paisagens ensolaradas e gente bonita para compensar.
 
Dividido em duas partes: Mi iubita (meu amor, em romani) e Mon amour (o mesmo em francês), o filme navega à deriva acompanhando um grupo de jovens francesas em viagem de carro pela Europa. O roteiro é creditado a Merlant e ao jovem romani Gimi Covaci, que protagoniza o filme ao lado dela. A atriz o conheceu quando realizou seu curta Shakira, sobre uma comunidade de ciganos em Paris.
 
Merlant é Jeanne, uma jovem atriz prestes a se casar, que, antes do matrimônio, viaja com um grupo de amigas rumo à Romênia. Quando o carro do grupo é roubado, elas precisam se abrigar com uma família de desconhecidos – interpretada pela família do próprio Covaci. Ele interpreta Nino, um adolescente sedutor, que mente sua idade para conquistar as mulheres que acabam de chegar.
 
Jeanne e Nino começam a flertar mais seriamente – embora ele jogue seu charme para todas e aceitaria ficar com qualquer uma das jovens francesas –, e uma relação parece acontecer. Há uma dinâmica de poder aqui que o filme nem sempre leva em conta. Jeanne não só é mais velha, como também a mais rica e tem uma vida estabelecida que é sedutora para o garoto. Para ela, Nino pode não passar de um episódio de turismo sexual – très chic, mas ainda um pouco degradante, por mais que ele esteja gostando disso tudo.
 
Um elemento mais dramático se insinua quando um gângster ameaça a família de Nino, mas as jovens logo vão embora. Impulsivamente, sem que elas ou seus pais saibam, ele entra no trem e as segue até a praia onde elas vão ficar. Começa aí a segunda parte do filme. Há momentos genuinamente belos nas cenas entre o casal, que, finalmente, está aceitando que há algo de mais sério entre eles. Mas, fora isso, Mi iubita, meu amor não se importa muito com suas personagens. Então, por que deveríamos nos importar? Essa é uma pergunta que um filme jamais deve deixar que se formule na mente de seu público.
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