Baseado no premiado romance homônimo do francês Olivier Bourdeaut, Esperando Bojangles, dirigido por Régis Roinsard (Os tradutores), este é um filme que tenta encontrar o equilíbrio entre o humor e a melancolia. E, mesmo contando com uma dupla central excelente e comprometida, desliza em sutilezas e transições que pediriam, talvez, um cineasta mais experiente.
A primeira parte do filme, sobre um casal se apaixonando, é excelente. Georges (Romain Duris) e Camille (Virginie Efira) são dois espíritos livres, que se descobrem apaixonados e vivem uma vida idílica. Mais tarde, terão um filho, Gary (Solan Machado Graner), que também é apaixonado pela mãe.
Toda a construção da narrativa – o roteiro é assinado pelo diretor e Romain Compingt – é em torno da vida alegre da família no final dos anos de 1950. O casal ama a música Mister Bojangles, que Jerry Jeff Walker comporia apenas em 1968 – ou seja, estamos em terreno próximo ao realismo mágico aqui.
O romance de conto de fadas, no entanto, sofre uma reviravolta quando Camilla muda de humor rápida e constantemente, sendo logo diagnosticada com um problema mental (nunca nomeado no filme), que tira a família dos trilhos e provavelmente é bipolaridade.
O mundo colorido, alegre e sem preocupações deixa de existir e a realidade bate à porta. Mas Roinsard parece não abrir mão do lúdico – o que seria interessante se bem dosado, mas, da forma como aparece, o problema de Camille se torna quase fofo.
O anacronismo da música no filme é o menor dos problemas que o diretor tem em suas mãos. O elenco está muito bem, mas os personagens não parecem à altura de suas interpretações. Fora isso, há algo misoginamente perturbador no fato de que Camille é a única personagem feminina de peso e ela é simplesmente problemática e desligada da realidade o tempo todo.
