Marie trabalha como profissional do sexo há alguns anos e, mãe solo, assim sustenta seu filho adolescente. Expulso de uma escola e sem trabalho, a única chance de um bom futuro para o rapaz está na possibilidade de estudar numa escola de gastronomia. Sua mãe fará de tudo para conseguir o dinheiro para pagar esse curso.
- Por Alysson Oliveira
- 05/12/2022
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A francesa Laure Calamy talvez seja mais conhecida por seu trabalho na comédia, mas em seus filmes mais recentes, Contratempo e agora Uma mulher do mundo, ela assume, e muito bem, papéis sérios. Curiosamente, ambos os filmes abordam relações de trabalho. Aqui ela interpreta uma profissional do sexo que quer dar uma boa vida ao filho adolescente, que aspira a estudar gastronomia.
Escrito e dirigido por Cécile Ducrocq, o filme traz um olhar com frescor diante da profissão da protagonista. A escolha profissional de Marie (Calamy) não é uma questão e, além disso, não há uma glamourização tola do trabalho. Ela tem clientes fixos, mas também trabalha nas ruas. E precisa juntar logo dinheiro para matricular o filho, Adrien (Nissim Renard), numa escola de culinária, que é bem cara, e tem um prazo apertado para as inscrições.
Calamy e Ducrocq têm profundo conhecimento de quem é Marie e o mundo onde ela transita, por isso a personagem surge tão humana, destituída de clichês e romantização da prostituição. Trabalhando por conta própria, como qualquer mãe, a protagonista está se esforçando para dar uma vida melhor ao filho.
Por outro lado, o filme mostra bem como as profissionais do sexo são vistas na sociedade francesa de forma hostil e escamoteada. Mesmo com um trabalho fixo, por exemplo, Marie não consegue um empréstimo no banco. Ela acaba indo para um bordel na fronteira com a Alemanha, onde pode ganhar bem, mas deve deixar uma parte para o cafetão.
A câmera de Ducrocq é quase documental, observa as personagens sem julgamentos e sabe que as relações de trabalho, assim como qualquer outro laço, são complexas. Marie surge como “uma mulher do mundo”, que conhece bem as coisas, mas, ainda assim, pode trair seus princípios diante de uma necessidade.
A cada novo trabalho, Calamy se firma como uma das melhores atrizes francesas da atualidade. Seja na comédia Minhas férias com Patrick, que lhe rendeu um César de interpretação feminina, ou aqui, ela é capaz de trazer sagacidade e carisma às suas personagens.
