04/07/2026
Drama

Os Fabelmans

Sammy é um garoto que vive no Arizona após a II Guerra Mundial. Um dia, seus pais o levam ao cinema pela primeira vez e, inteiramente apaixonado, e encontra nos filmes uma forma de lidar com realidades incômodas.

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Steven Spielberg faz seu retrato de família em Os Fabelmans, alegadamente seu filme mais pessoal, em que insere porções generosas de sua autobiografia, assinalando as pegadas de um menino que sonhava em tornar-se diretor de cinema.
 
O fato de que todos sabemos que o sonho tornou-se uma realidade reluzente, afinal, Spielberg é um dos maiores e mais premiados diretores do mundo, não tira o brilho da narrativa, até porque o roteiro, assinado pelo diretor e o brilhante Tony Kushner, valoriza as etapas de uma trajetória de vida em que nada estava ganho de antemão.
 
Alterego de Spielberg, o menino Sam Fabelman (Mateo Zoryan) é levado ao cinema pela primeira vez em 1952 pelos pais, Mitzi (Michelle Williams) e Burt (Paul Dano), dando início a essa história de amor que pautará a vida do garoto. Spielberg cria com cuidado essa atmosfera de emoção que cultiva diante da tela grande, expondo a ligação que Sam (adolescente, interpretado por Gabriel LaBelle) passa a manter com a câmera, que se torna uma espécie de mediadora de sua relação com a própria vida. 
 
Não se trata apenas de exercer um dom, um talento. Para Sam, apropriar-se da pequena câmera que tem à sua disposição é uma forma de criar um outro mundo em histórias de guerra, ficções em que incorpora seus colegas de classe para atuar em relatos que, para ele, são encarados com a seriedade de casos de vida ou morte. Além de um aprendizado permanente das possibilidades técnicas. 
 
Entremeando essa ligação visceral com a câmera, a história acompanha a gangorra emocional da família de classe média, cuja harmonia esconde uma profunda divisão emocional entre a sensível Mitzi, uma pianista clássica que abdicou da carreira para cuidar de quatro filhos, e o controlado Burt, um engenheiro que antecipa as possibilidades dos computadores.Entre a emoção de um e o pragmatismo do outro, Sam descobre outras contradições e o esboço de um drama familiar em que outro lado da equação é um velho amigo da família, Bennie (Seth Rogen).
 
Fugindo do maniqueísmo, a jornada de Sam é uma trajetória de crescimento pessoal, que também é confrontada pelo bullying de colegas antissemitas na nova escola na Califórnia. Mas é também nesse ambiente que o jovem descobre seu primeiro amor, Monica (Chloe East), uma cristã fervorosa - situação que oferece ao filme algumas de suas sequências mais deliciosamente cômicas. 
 
Se Sam é o espelho de uma adolescência de olhos arregalados para a vida que procura agarrar, Mitzi é um centro dramático não menos importante. Ela é o centro deste núcleo familiar, cuja ordem ela mantém e afronta ao mesmo tempo, com reações intempestivas como comprar um macaco ou correr, com os filhos dentro do carro, atrás de um tornado em pleno funcionamento. E Michelle Williams cria, com ela, uma das grandes interpretações de sua carreira.
 
Na temporada de prêmios 2023, o filme já levou os Globos de Ouro de melhor drama e direção. E recebeu indicações para Spielberg no Sindicato dos Diretores da América, além de outras duas no Sindicato dos Atores, para Paul Dano e para o elenco.

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