04/07/2026
Suspense Drama

Garoto dos céus

Filho de um pescador, Adam recebe uma bolsa de estudos na prestigiada universidade Al-Azhar, no Irã, tida como o maior centro de teolofia islâmica do mundo. Lá, começa a ser pressionado por um coronel a tornar-se espião dos bastidores da instituição, no momento em que se prepara a escolha de um novo imã. Ao mesmo tempo, um grupo de alunos radicalizados impõe medo aos colegas mais moderados.

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Vencedor de um Grande Prêmio do Júri em Sundance em 2017 por The Nile Hilton Incident, o sueco-egípcio Tarik Saleh estreou na competição em Cannes 2022 com outro thriller político sobre as engrenagens do poder no Egito, Garoto dos Céus, que conquistou o prêmio de melhor roteiro, também escrito pelo diretor.
 
Saleh enfoca o conflito entre a segurança do Estado e o poder religioso, centrando-se no ambiente da Universidade Al-Azhar, tida como o maior centro de teologia islâmica do mundo, no Cairo.
 
É para lá que se dirige o jovem Adam (Tawfeek Barhom), um filho de pescador que é escolhido para ganhar uma bolsa de estudos. Rapaz simples, ele se torna objeto de disputa do serviço secreto, através da figura do coronel Ibrahim (Fares Fares) - que o chantageia para obrigá-lo a tornar-se espião dentro da universidade, que se prepara para eleger um novo imã que, segundo o regulamento, terá cargo vitalício. 
 
O governo pretende impedir a vitória prevista de um líder que não compartilhe seus pontos de vista, usando informações dadas por Adam. Tawfeek Barhom interpreta com muita propriedade este jovem inocente que vê suas ilusões serem dilapidadas dia a dia num ambiente de intrigas em que ele é manipulado no seu limite.
 
Vivendo fora do Egito e tendo tido seu filme anterior, The Nile Hilton Incident, proibido naquele país, Tarek esforça-se para compor um panorama complexo de uma realidade que, em muitos sentidos, nos escapa, pontuando também as rivalidades dentro da universidade, com a presença de um grupo radicalizado, que atemoriza os demais alunos por suas atitudes eventualmente violentas contra aqueles que lhes resistem. 
 
No final, parece tratar-se de uma boa aproximação a uma realidade que, fora do mundo islâmico, em geral se desconhece, por um diretor que tem um mínimo de conexão com ela, embora faça o filme de fora do país. Dentro dele, afinal, ele não poderia fazê-lo. E, em entrevistas, como uma recente à Variety, Salek destacou ter feito uma extensa pesquisa com imãs para dar conta da máxima fidelidade possível ao ambiente desta universidade - que, logo de início, o filme destaca que foi alvo de tentativas de controle por parte de diversos governos egípcios, sem sucesso, ao que se sabe.
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