Obeso mórbido, Charlie é um professor que dá aulas pelo zoom - desligando sua câmera - e nunca sai de casa. Devido ao excesso de peso, ele se locomove com muita dificuldade e a ajuda de bengalas ou um andador. Sua única amiga é Liz, uma enfermeira que lhe traz comida, remédios e lhe dá conselhos. Inesperadamente, ele terá visitas: um jovem, Thomas, decidido a convertê-lo, e sua filha adolescente, Ellie, com quem ele sonha reconectar-se. Na Netflix.
- Por Neusa Barbosa
- 06/02/2023
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Brendan Fraser, o ator de 53 anos que já desperdiçou talento em inúmeros filmes idiotas (A Múmia, etc..), joga-se de corpo e alma na pele de Charlie, protagonista do drama A Baleia, de Darren Aronofsky. Tendo engordado vários quilos e ainda recorrido a próteses, ele interpreta com pungência o papel deste professor obeso mórbido que, depois da morte trágica de seu companheiro, tornou-se praticamente prisioneiro de seu apartamento, já que fazer o mínimo movimento, na sua condição, requer esforços sobre-humanos e o auxílio de carrinhos, bengalas e até uma cadeira de rodas.
Fraser venceu o Oscar de melhor ator e o prêmio do Sindicato dos Atores por esse trabalho que o coloca de volta no jogo em Hollywood. O filme venceu também o Oscar de melhor maquiagem.
A história baseia-se na peça teatral de Samuel D. Hunter, que também assina o roteiro, o que explica seu formato claustrofóbico, reduzido a um único cenário, essa sala onde Charlie passa sua vida, dando aulas remotas pelo Zoom (mantendo sua câmera apagada, para que os alunos não o vejam), e recebe visitas esporádicas. A mais constante delas, sua amiga, a enfermeira Liz ( Hong Chau), uma filha com quem ele manteve pouco contato e é um poço de raiva, Ellie (Sadie Sink), a ex-mulher, Mary (Samantha Morton) e um jovem missionário, Thomas (Ty Simpkins), que tenta convertê-lo.
Se o filme é um melodrama derramado, cheio dos excessos habituais do diretor de O Lutador (que venceu em Veneza o Leão de Ouro em 2008) e Cisne Negro, destinado a arrancar lágrimas pela condição sem saída de seu protagonista, seu forte é justamente a interpretação sincera e empenhada de Fraser. No mais, é um filme por demais preso à fórmula do melodrama para aspirar a tornar-se algo mais.
