O urso do pó branco tem uma premissa, no mínimo, instigante. Um urso gigante encontra um carregamento de cocaína que caiu acidentalmente na floresta onde vive, na Geórgia, e consome a droga. O filme é baseado numa história real, na qual o urso morreu de overdose, mas aqui é diferente: ele sai desenfreadamente em busca de mais drogas e mata a todos que encontra pelo caminho.
Sob a direção de Elizabeth Banks, aqui temos mais um conceito à procura de um filme. O ponto de partida é, no mínimo, bizarro, mas não destituído de potencial. O problema é que o roteiro de Jimmy Warden não vai muito além disso. Há algumas desculpas, como fiapo de história, para manter o longa de pé por 95 minutos, e personagens pouco convincentes que serão as vítimas do animal pelo caminho.
Banks opta, acertadamente, pelo tom cômico, não se levando a sério e pouco se importando com os personagens, o que, no fundo, resulta em figuras rasas Pouco importa,.que sejam devoradas mesmo! É um grupo grande de pessoas que, por motivos diversos, acabam embrenhadas no meio do mato, procurando a cocaína perdida e/ou fugindo do urso quando se deparam com ele.
Daveed (O'Shea Jackson Jr.) foi mandado para procurar o carregamento perdido pelo chefão do tráfico Syd (Ray Liotta, que morreu no ano passado, e aqui em um de seus últimos trabalhos). Na companhia dele está Eddie (Alden Ehrenreich), filho do chefe, cuja esposa morreu há pouco e está passando por um episódio de depressão. Na cola deles está o policial Bob (Isiah Whitlock Jr.).
Ao mesmo tempo, a pequena Dee Dee (Brooklynn Prince) e seu amigo (Christian Convery) mataram aula para pintar uma cachoeira, e são os primeiros a se deparar com o urso. Em busca deles, está Sari (Keri Russell), uma enfermeira, mãe da menina, que pedirá ajuda à guarda florestal Liz (Margo Martindale, depois do urso, a melhor presença no filme), que está pouco interessada em trabalhar e mais atrás de seduzir um biólogo (Jesse Tyler Ferguson). Todas essas vítimas em potencial, junto com um trio de arruaceiros, irão se deparar com o urso em algum momento. E o animal não está interessado em fazer amizade.
Tal qual o recente M3gan, O urso do pó branco é um filme relativamente barato, que pode oferecer uma boa bilheteria e até render uma sequência – o gancho está lá no final. Mas isso não quer dizer que alcance tudo aquilo que promete. É um filme muito desesperado para ser divertido – e nem sempre é. É também marcadamente influenciado pelos anos de 1980, época em que a história se passa – seja pelo jeito como é feito, ou a trilha sonora. Mas é também um filme querendo se passar por uma produção B, coisa que claramente não é. E, nessa crise de identidade, acaba se perdendo em seu próprio conceito.
