04/07/2026
Drama

A garota radiante

França, 1942. Irène é jovem e cheia de energia. Ela sonha em ser atriz, mas também em encontrar um amor. Dedicada à profissão, ela se prepara para um exame no Conservatório e também começa a namorar um jovem médico. Mas, na França dominada pelos nazistas, a liberdade dos judeus, como Irène e sua família, não é mais possível.

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Estreante na direção, a atriz Sandrine Kiberlain (Quando Margot Encontra Margot) mostra um domínio impressionante. Sua experiência profissional certamente a ajudou na condução do elenco, mas não é apenas isso em A Garota Radiante, do qual ela também assina o roteiro. É uma história potente, protagonizada por uma Rebecca Marder em estado de graça. O trabalho lhe rendeu uma indicação ao César.
 
A garota do título é Irène, uma jovem aspirante a atriz de teatro na Paris do começo da década de 1940. Radiante ela realmente é, e cheia de vida, sonhos e força. O filme se dá numa tensão, no entanto, que é desconhecida dela, mas nós, o público, sabemos o que virá dali a pouco com a ocupação nazista no país.
 
Irène ignora, de certa forma, tudo isso. Mergulhando em seus sonhos, ela também começa a descobrir o amor, e se prepara para entrar no Conservatório. No momento, são as únicas coisas que lhe interessam, e o fato de ser judia, supostamente, não faz diferença – mas, como sabemos, fará, especialmente quando tiver de usar uma Estrela de Davi num lugar visível de sua roupa.
 
Esse tipo de personagem doce e focado em seu mundinho e seu sonho é comum, e pode ser interessante ou irritante. No caso do filme de Kiberlain, ela consegue encontrar um meio termo entre o encantador e o levemente ingênuo. Mas a tolice de Irène talvez seja exatamente sua forma de se proteger do mundo cruel e perigoso que começa a se consolidar ao seu redor. Nesse sentido, a cena final é de profunda significância e de particular força.
 
A interpretação de Marder, atriz da Comédie-Française, é tão cheia de vigor e luminosa – na excelente fotografia de Guillaume Schiffman – e com um carinho enorme e inegável pela personagem, que vive cercada por seu pai André (André Marcon), a avó Marceline (Françoise Widhoff) e o irmão Igor (Anthony Bajon).
 
A Garota Radiante é, claramente, um filme sobre um momento histórico a partir do ponto de vista de uma pessoa que prefere ignorá-lo, o que não faz dela uma alienada, mas uma sobrevivente. Kiberlain poderia colocar o movimento da história como uma figura central em seu filme, mas opta para que isso aconteça nas margens, dando assim força e ênfase na sobrevivência de Irène, a despeito do mundo sombrio que a cerca.
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