04/07/2026
Drama

O colibri

Nos anos 1970, os irmãos Marco e Giacomo mantém uma rivalidade pela paixão pela mesma menina, a vizinha Luisa. Uma tragédia marca sua família e os irmãos se separam na vida. Mesmo casado com outra mulher, Marco não consegue esquecer Luisa.

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Não se fazem mais melodramas italianos como antigamente e essa constatação pode soar saudosista - mas não é. As credenciais aqui pareciam boas. A veterana diretora Francesca Archibugi parte de um romance de Sandro Veronesi (autor de Caos Calmo) e reuniu um elenco com respeitáveis nomes à frente: Pierfrancesco Favino, Laura Morante, Bérénice Bejo e Nanni Moretti. Mas o resultado de seu mergulho em algumas décadas da vida da família Carrera resulta numa trama inconsistente e numa atração irresistível pelo novelão, desperdiçando os talentos a bordo.
 
Tudo começa em 1970, num dia que será inesquecível na vida dos irmãos Marco (Francesco Centorame) e Giacomo (Niccolò Profeti) Carrera. Apaixonados ambos pela vizinha francesa, a belíssima Luisa Lattes (Elisa Fossati), eles escapam de casa assim que seus pais, Probo (Sergio Albelli) e Letizia (Laura Morante), saem para um jantar. Marco está com Luisa, o que é ignorado por Giacomo, que a procura na casa dela. A distração de ambos os irmãos se mostrará fatal para uma tragédia na casa Carrera naquela mesma noite. 
 
É um começo instigante para uma história que visivelmente se demorará no destino futuro deste trio e que o roteiro, assinado por Francesca Archibugi, Laura Paolucci e Francesco Piccolo, vai tornando cada vez mais inverossímil. Adulto, Marco (agora interpretado por Pierfrancesco Favino) é procurado por Carradori (Nanni Moretti), o inusitado terapeuta de sua mulher, Marina (Kasia Smutniak). Contrariando a ética profissional e toda lógica, o psicólogo indaga Marco sobre a existência de uma mulher sobre quem Marina relata suas dúvidas da infidelidade do marido - ninguém menos do que a boa e velha Luisa (agora, Bérénice Bejo). 
 
Esta paixão sobrevivente do passado entre Marco e Luisa - ela também casada com outro - deveria ser a espinha dorsal de uma história de emoções difíceis e relacionamentos truncados, a partir mesmo do casamento conflituoso dos pais de Marco, Probo e Letizia. Mas nem isso, nem a rivalidade latente com Giacomo (adulto, Alessandro Tedeschi), delineiam realmente a trajetória de Marco, um homem que parece ter aberto mão de todos os amores e emoções em prol de uma existência frustrada. A partir de um determinado momento, nas sequências finais, o filme se encaminha também para um acúmulo de tragédias que a diretora não conduz com boa mão. Há um peso excessivo em tudo, especialmente nas escolhas finais do protagonista, que haveria de ter-se retratado com mais sutileza. Isso ao menos se poderia esperar.

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