18/07/2026
Desenho animado

A Viagem de Chihiro

Primeiro ganhador do Oscar de animação, em 2003, o filme de Hayao Miyazaki traz uma garota que, ao se mudar para os subúrbios, descobre um mundo sombrio governado por seres fantásticos que transformam humanos em feras.

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Vencedor do Oscar 2003 de longa-metragem de animação e do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2002, este desenho do mestre japonês Hayao Myazaki mostra o quanto o gênero pode ser ambicioso e sofisticado. Nascido em 1941, ele coloca o computador em segundo plano - todos seus personagens e cenários são pintados à mão, antes de digitalizados (na verdade, este é seu primeiro filme colorizado e masterizado em formato digital). Myazaki não está nem aí para a guerra entre os grandes estúdios americanos para dar o próximo passo no terreno da computação gráfica. É um artesão dos detalhes, das texturas, das cores, das nuances, da delicadeza e da naturalidade dos movimentos. Sua ousadia não é apenas formal. Seus roteiros são mergulhos na imaginação mais fantástica, inspirados nas lendas tradicionais japonesas, constituindo uma viagem que convida não só adultos como crianças a embarcarem neles.

A protagonista é Chihiro, menina de dez anos que acaba de mudar de cidade com os pais. Está amuada com a mudança, que a afasta dos amigos e de todo o mundo que conhecia. É uma garota urbana e mimada. Os pais dão pistas de serem consumistas frenéticos e afetivamente frios. Uma parada no caminho desafia a lógica em que vive a família. O carro chega a uma estrada sem saída, de onde parte um pequeno túnel. O mistério do que há por trás dele tenta os pais a explorarem o lugar. Insegura a princípio, a menina os segue.

Do outro lado, há uma espécie de parque temático, repleto de lojas e lanchonetes. Mas está tudo vazio. Nenhuma pessoa à vista, embora as luzes estejam acesas e haja montes de comida à disposição. Os pais de Chihiro resolvem empanturrar-se com as delícias gratuitas, contando pagar depois que os funcionários reaparecerem. Chihiro prefere passear. Pouco depois, encontra um menino, Haku, que a alerta de que entraram num reino mágico e perigoso. A presença de humanos é proibida ali, portanto, todos precisam partir antes do anoitecer, que está próximo.

Quando Chihiro reencontra os pais, tem um choque: eles se transformaram em enormes porcos. A metamorfose dá a partida a uma série de eventos fantásticos que lançam Chihiro em aventuras incríveis e também numa jornada pessoal de crescimento, sempre ajudada pelo misterioso Haku. Sob sua orientação, ela se esconde e procura trabalho na enorme casa de banhos que domina o local. O empregador é Yamaji, velho dotado de vários braços que movimenta a enorme estrutura que abastece as banheiras e movimenta as caldeiras de todo o estabelecimento, destinado aos deuses.

Uma vez empregada, Chihiro não pode ser destruída pela feiticeira Yubaba, uma temível velha de nariz adunco. A partir daí, a garota deve adotar o nome de Sen e submeter-se a uma rotina estafante, que implica uma quantidade infinita de tarefas braçais. Mas chegará também o momento de retribuir a ajuda de Haku, o que vai requerer de Chihiro uma grande dose de coragem.

Lançado em 107 cópias (93 dubladas, 14 legendadas), o desenho representa uma grande oportunidade de comparação com as produções americanas. Alguns aspectos dignos de nota são os movimentos naturalíssimos e a expressão facial de Chihiro, que se assemelha com perfeição a uma menina de verdade, não a uma bonequinha, como em tantos desenhos. Há seqüências de uma beleza impressionante, caso da chuva, dos seres transparentes e do trem que flutua sobre o oceano - esta última, a cena mais difícil de criar, segundo o diretor artístico Yoji Takeshige. A trilha sonora é do consagrado Joe Hisaishi, autor do tema de Dolls, de Takeshi Kitano.

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