O título nacional, O nascimento do mal, que não faz qualquer sentido, é o menor dos problemas do longa escrito e dirigido por Lori Evans Taylor. A ideia inicial não é de todo ruim, a grande questão, no entanto, são os caminhos que a trama toma. Julie Rivers (Melissa Barrera) está grávida e, ao lado do marido, Daniel Rivers (Guy Burnet), muda-se para uma casa velha numa pequena cidade onde ele dará aulas na universidade local.
O que começa com a reforma da casa, logo se torna outra coisa. Depois de escorregar na escada, Julie sofre um descolamento de placenta, e o médico recomenda passar as últimas semanas em repouso absoluto, saindo da cama apenas para tomar banhos rápidos. Não bastasse o tédio do repouso absoluto, Julie também tem de enfrentar um trauma do passado: o filho do casal que morreu logo após o nascimento.
O filme retrata muito bem o primeiro dia de repouso, quando Julie faz diversas coisas para o tempo passar, e custa a passar – e ainda faltam mais de 50 dias, conforme vão sendo marcados na tela. Porém, coisas estranhas começam a acontecer, ela vê vultos, leva sustos, acha que a casa está sendo invadida. O marido preocupado contrata uma enfermeira, especialista em cuidar de grávidas, Delmy (Edie Inksetter).
Sem muito pudor, a diretora estreante Taylor pega referências de terrores clássicos sobre gravidez, como O bebê de Rosemary e A Sétima Profecia, e se apropria na narrativa sobre Julie. O potencial do filme logo se transforma em sustos baratos e desnecessários que minam com o clima construído até então. Julie começa a ver uma criança e acredita que é o filho dela que morreu, e voltou para avisar que uma mulher quer tomar a sua bebê que ainda não nasceu. É lógico que ela vai desconfiar de Delmy, uma mulher que nunca pode ter filhos, mas se diz feliz por ajudar grávidas a trazer suas crianças ao mundo.
Tudo caminha para um clímax que pode ser risível ou emocionante, dependendo de como se olha. De qualquer forma, é um tanto cafona, mas segue a linha pouco verossímil que a diretora aplicou ao filme o tempo todo.
