Se você gosta de sua comédia romântica mórbida e com uma Céline Dion megera, O amor mandou mensagem é o filme para você. O grande problema, entre tantos outros deste longa, é se vender como algo que não é. Assuma-se como um drama para chorar, que talvez funcione melhor.
O filme de Jim Strouse, inspirado num longa alemão inédito no Brasil, tem como protagonista a carismática Priyanka Chopra Jonas, como Mira Ray, uma ilustradora de livros infantis que vê o seu namorado, John (Arinzé Kene), morrer atropelado na sua frente na primeira cena do filme. Dois anos depois, ela ainda está em luto na casa dos pais, quando sua irmã, Suzy (Sofia Barclay), insiste para que ela volte para Nova York.
Na outra ponta da narrativa, está Rob Burns (Sam Heughan), um crítico de música que desacredita do amor desde que sua noiva terminou com ele uma semana antes do casamento. Ele receberá um novo celular no trabalho, e o número do aparelho, coincidentemente, é o antigo número de John, para o qual, em profunda depressão, Mira começa a mandar mensagens íntimas, achando que ninguém nunca leria.
Não é difícil imaginar para onde a história caminha. Rob nunca responde, ou avisa que o número foi passado para outra pessoa. Mais do que isso, se apaixona por Mira sem nem saber como ela é. Quando ele começa a receber as mensagens, uma colega de trabalho (Lydia West) avisa: isso é um golpe, e logo vão te pedir dinheiro. Essa seria uma trama mais plausível.
Mas onde Céline Dion e suas cinco novas músicas se encaixam nisso tudo? Uma das pautas de Rob é fazer um perfil da cantora canadense, sobre a qual ele conhece pouco. Assim que chega para entrevistá-la, ela é capaz de perceber que ele não acredita no amor e lhe dá conselhos sentimentais. Ela tem momentos levemente megera, mas, no fundo, a “personagem” assume o posto de guru sentimental, como suas músicas melosas sobre amor. Ela também se encaixa na questão do luto, ao contar da perda de seu marido e empresário René Angélil, em 2014.
Tudo tem muita cara de um longo comercial para a turnê americana de Céline Dion – que inclusive é uma das produtoras do filme, o que não surpreende. Desde a estética higienizada aos personagens pálidos como seres humanos, sem emoções profundas ou ações verossímeis. A direção também é bastante neutra, sem ousadias – embora Chopra Jonas e Heughan mostrem timing para comédia – ou ambições, num filme perfeito para passar na televisão como esquenta de algum especial sobre Dion.
