04/07/2026
Drama

Urubus

Trinchas é um jovem da periferia que se destaca como pichador na cidade de São Paulo. Quando conhece Valéria, uma garota de classe média, ele descobre mais sobre sua própria arte, o que acaba culminando na histórica invasão da Bienal em 2008.

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Ganhador do Prêmio de Público e da Crítica na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Urubus causa certo estranhamento quando o primeiro crédito que aparece na tela é o do produtor executivo, Fernando Meirelles. Ao longo do filme, entendemos seu papel aqui, pois sua mão à la Cidade Deus é um peso forte no primeiro longa de Claudio Borrelli, diretor também originário da publicidade.
 
O tema do longa são os pichadores de São Paulo, tendo como centro a famosa invasão de um grupo deles à Bienal de São Paulo, em 2008. Ao lidar com esse universo, o filme opta por um visual estilizado, uma fotografia artificial, de Ted Abel, em consonância com a temática e a forma da narrativa, cujo protagonista é Trinchas (Gustavo Garcez), um jovem da periferia, que acaba se envolvendo com a descolada Valéria (Bella Camero).
 
Nessa forma que se assumiu, há alguns anos, como um cinema de narrativa urbana, a câmera é tremida, corre com os personagens dando mais protagonismo ao movimento  - das pessoas e das imagens – do que ao desenvolvimento de personagens e narrativa. É uma opção confortável, uma vez que esse tipo de gramática já se estabeleceu, e não causa desconforto – embora o tema do filme gostaria de questionar, entre outras coisas, o que é arte.
 
É uma questão bastante sofisticada da qual o filme não dá conta. A invasão da Bienal é mero elemento de suspense e ação dentro de Urubus, mais do que realmente um detalhe que imprima a complexidade a que o longa aspira. Há, obviamente, uma dose de boa vontade aqui, ao tomar partido dos chamados artistas marginais, mas apenas isso não é suficiente para convencer como argumento.
 
Assim, é mais um filme de ação do que qualquer outra coisa, com suas correrias e perseguições, além de personagens esquemáticos. O roteiro é assinado por Borrelli, Mercedes Gameiro, Cripta Djan e Vera Egito – o que parece gente demais para um filme, e talvez explique como a narrativa nunca pareça coesa. Não há qualquer dúvida de que o pixo é uma forma de expressão importante e relevante no cenário atual – a questão se é arte ou não talvez nem importe muito, pois o que tem a dizer transcende isso – mas Urubus parece apenas usá-la como catalisadora de uma história de amor.  
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