O período retratado em A Era de Ouro são os glamorosos anos de 1970, com a ascensão da música disco e seus artistas. A história, ao centro do longa, é a da gravadora Casablanca Records e seu criador Neil Bogart, interpretado aqui por Jeremy Jordan. O filme é escrito e dirigido pelo filho do biografado, Timothy Scott Bogart, e tem entre os produtores seus irmãos Brad e Evan Bogart. Ou seja, é um negócio de família.
A priori, isso não seria um problema, mas Timothy Scott não é um diretor experiente para lidar com um momento e assunto tão complexos como esses, assim, surpreendentemente, é um filme entediante mesmo lidando com temas empolgantes. Parece que mira em Boogie Nights – Prazer sem limites e acerta um longo vídeo de Youtube com uma colagem de momentos fora da cronologia amarrada por uma voz narrando absolutamente tudo. O que há de bom aqui está tudo na música – de artistas como Donna Summer, KISS, Gladys Knight, George Clinton etc. Mas isso não é mérito do filme, as músicas já existiam.
A Era de Ouro é uma biografia convencional, muito falada, muito narrada e, ainda assim, estranhamente, é muito confusa. Não é fácil, nem muito animador acompanhar os altos e baixos na vida e carreira de Bogart, que tem em Jordan um intérprete pouco inspirado. Seus erros e acertos no mercado fonográfico e em seus casamentos não são capazes de criar uma narrativa à qual se adere. Tudo é muito limpinho. Não que não haja drogas, sexo e disco music, mas até isso o diretor consegue tornar tedioso.
Na vida pessoal, Bogart deixa sua esposa amorosa, Beth (Michelle Monaghan), para ficar com Joyce (Lyndsy Fonseca), sua amante. É muito curioso como o filme lida com tudo isso, de maneira quase lúdica, sem ver nenhum problema na trajetória do protagonista. Já sua carreira também é tratada de forma leve. Sua saída da Casablanca, em 1980, também não foi tão suave e triunfal como o longa parece indicar.
Tudo gira em torno de Bogart e, se nem ele é bem resolvido como personagem, quem dirá os coadjuvantes, que surgem como figuras planas, gravitando em torno do executivo. De seu pai (Jason Isaacs) a Donna Summer (Tayla Parx), que fez o nome da Casablanca com seu I love to love you baby, são figuras pálidas, cujas funções na narrativa estão atreladas ao protagonista.
É compreensível que Timothy Scott quisesse fazer um homenagem à carreira e à vida de seu pai, mas sua falta de experiência – e, talvez, também, a proximidade ao tema – atrapalha o filme, que tem mais de 2 inexplicáveis horas. Numa fase inicial, deveria ser dirigido por Spike Lee. Aí sim poderia sair um grande filme, um tributo a uma era.
