05/06/2026
Documentário

Bem-vindos de novo

No começo dos anos 2000, os pais do diretor Marcos Yoshi partiram para o Japão para trabalhar, deixando os filhos com os avós. Mais de uma década depois, eles retornam ao Brasil, e o filme acompanha o processo de reencontro e o restabelecimento dos laços depois da longa separação.

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Um evento familiar torna-se o ponto de partida para a investigação de um fenômeno migratório que marcou gerações: de descendentes de japoneses, que se mudam, por um tempo, para o Japão, onde trabalharão exaustivamente para conseguir juntar dinheiro e voltar aos seus países de origem. Eles são chamados de decasségui. Bem-vindos de novo, primeiro longa de Marcos Yoshi, aborda exatamente essa questão a partir da volta de seus pais, Roberto Shinhti Yoshisaki e Yayoko Yoshisaki, que durante 13 anos ficaram longe dos filhos, trabalhando no país asiático.
 
Se, por um lado, Yoshi poderia ter tentado fazer um filme de entrevistas com decasséguis e familiares, talvez não conseguisse tamanha ressonância, como tem ao colocar seus país na frente da câmera. A história do casal é resgatada por meio de conversas sobre o passado pré-viagem, sobre a vida no Japão e o retorno. Ao mesmo tempo, há o lado dos filhos, que se consideram uma espécie de “órfãos de pais vivos”, privados da convivência por mais de uma década.
 
É interessante como as figuras na tela respondem a uma espécie de expectativa dos seus papeis sociais: o pai é o provedor e tem crises quando não consegue cumprir esse papel, e a mãe é quem resolve os conflitos, pacificadora e carinhosa. Nesse sentido, há a observação daquilo que o próprio diretor chama de masculinidade amarela – um tanto tóxica, no sentido da dificuldade de lidar com seus próprios sentimentos, algo cultural também.
 
Entre o passado – com vídeos caseiros da família – e o presente, Bem-vindos de novo é um retrato pessoal e político ao mesmo tempo, que, na máxima de Tolstói, pinta o seu quintal e mostra o mundo. O indivíduo contemporâneo, que vem das revoluções burguesas, depende da estrutura familiar. É um paradigma que, no século XXI, em especial, está se transformando, mas ainda assim permanece um paradigma. Esse documentário investiga feridas pessoais do passado para tentar compreender e transformar o presente.
 
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