18/07/2026
Comédia Animação

Elementos

Na cidade Elemento, os quatro elementos convivem lado a lado. Mas, enquanto os seres de água são ricos e ascendentes, os seres de fogo são confinados a uma periferia, a Vila do Fogo. Em princípio incompatíveis, Faísca e Gota serão atraídos a um conflito e depois a um romance muito complicado por sua própria natureza.

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Seguindo a tradição de temas caros à Disney/Pixar, a animação dirigida por Peter Sohn parte da oposição entre os quatro elementos fundadores da natureza - fogo, água, terra e ar - para compor uma história que discute desigualdade, preconceito, inclusão e amores supostamente impossíveis.
 
O roteiro, assinado por John Hoberg, Kat Likkel e Brenda Hsueh, concentra-se mais na dicotomia fogo/água, simbolizada pelos protagonistas Faísca e Gota, o inusitado par romântico do pedaço. O cenário é a cidade futurista Elemento, em que os seres de água não têm problemas em circular pelos muitos canais e monotrilhos, sendo a classe ascendente. Terra e ar são apenas coadjuvantes neste mundo em que os seres de fogo são restritos à Vila do Fogo, uma espécie de periferia retrô colorida e animada, onde os pais de Faísca mantêm uma próspera loja. 
 
Faísca e Gota nunca se conheceriam não fosse por um incidente. Garota sujeita a explosões literalmente incendiárias causadas por clientes irritantes, Faísca acaba danificando os encanamentos do porão da loja familiar, causando um alagamento por onde é sugado Gota, um inspetor municipal. O intruso aquático resolve multar o estabelecimento, o que levará ao seu fechamento. Faísca decide lutar contra isso e, sem que o pai nem desconfie do que está ocorrendo, desloca-se por toda a cidade atrás de Gota.
 
Visualmente, os cenários e as próprias capacidades de cada personagem, Faísca com suas chamas, Gota com sua impressionante flexibilidade, fazem jus ao padrão de qualidade do estúdio, ainda que com poucas cenas impressionantes - caso da transformação das cores dos cristais por Faísca ou de sua expedição subaquática para ver a flor Vivisteria. As limitações do roteiro, afinal, pesam sobre o resultado geral do filme.
 
A dependência excessiva da trama da obrigação que Faísca sente de atender às expectativas do pai, em detrimento de seguir seus próprios sonhos, como a estimula Gota, acaba sendo estendida demais. Dá a impressão de que diretor e roteiristas não ousaram deixar de seguir uma lista dos habituais clichês deste tipo de história, com uma pitada de comentário aqui e ali sobre diferença social, respeito à tradição e resquícios de preconceitos para poder seguir adiante. Sem contar uma rápida piscada a Romeu e Julieta
 
A junção de todos esses ingredientes na receita criam um outro problema: a qual público se destina o filme? Parece complexo demais para crianças pequenas, infantil para adolescentes e ainda mais para adultos. E, em se tratando de uma história focada nos quatro elementos, falta uma situação que seja que se refira à questão ambiental, ignorada aqui. 
 
As dificuldades da produção mostram o quanto é difícil repetir um sucesso como Divertida Mente (2016), aquele sim um primor de roteiro e técnica. Aqui, faltou um pouco mais de imaginação no roteiro, embora seja evidentemente um filme agradável.
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