04/07/2026
Drama

Tinnitus

Marina é uma talentosa nadadora especializada em saltos ornamentais, que tem pela frente uma carreira ascendente. Um dia, no entanto, ela começa a sentir um insistente zumbido nos ouvidos e sofre um acidente numa competição. O incidente muda completamente o rumo de sua vida e ela procura desesperadamente uma solução.

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Vencedor de três prêmios técnicos no Festival de Gramado 2022, o drama paulista é o segundo longa do diretor Gregório Graziosi e foi desenvolvido dentro do programa de residência do Cinéfondation de Cannes. Trata-se de um trabalho extremamente sofisticado, especialmente do ponto de vista visual, como demonstram as premiadas fotografia do português Rui Poças, a montagem de Eduardo Serrano e a direção de arte de Carol Ozzi. 
 
Esta consistência técnica não se reproduz com a mesma eficiência no roteiro, que não desenvolve satisfatoriamente o drama de Marina (a atriz luso-brasileira Joana de Verona), uma nadadora de saltos ornamentais forçada a abandonar o esporte devido a um distúrbio auditivo - a que se refere o enigmático título do filme. Tinnitus é realmente o nome do distúrbio, que é real e foi retratado na história com assessoria de médicos especializados. 
 
Forçada a abandonar uma atividade que foi sua vida a partir de um acidente causado pelo insistente zumbido auditivo, Marina encontra um emprego alternativo num aquário, em que passa os dias nadando, fantasiada de sereia - um ambiente que evoca uma certa ambiguidade e fantasia que poderiam ter sido mais explorados ao longo da história. 
A dura realidade, no entanto, é que Marina sofre um agudo processo de desestabilização emocional, que sua dependência de remédios, estimulada pelo marido médico (André Guerreiro Lopes), não consegue aliviar. Ao contrário, sua condição só se agrava.
 
Ao retratar as incertezas de sua protagonista e o ambiente competitivo das piscinas, que finalmente Marina acaba revisitando, o clima do filme não consegue livrar-se de uma certa frieza, que dificulta a identificação com as personagens. Evidentemente, trata-se de mais uma etapa no amadurecimento do diretor, que estreou em longas com Obra (2014), e ainda pode conquistar mais em termos dramáticos.
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