Incialmente concebido como um episódio do programa de televisão Muito Além do Além, idealizado por José Mojica Marins, e escrito por Rubens Francisco Lucchetti, A Praga foi exibido no final dos anos de 1960 e perdido num incêndio. Em 1980, Zé do Caixão, que também apresentava os episódios, resolveu refilmá-lo, mas não pode concluir a obra.
Por mais de 15 anos trabalhando na recuperação da obra de Zé do Caixão, Eugênio Puppo encontrou e recuperou os rolos considerados perdidos, trabalhou na correção de cores, remasterização sonora, trilha musical e até na inclusão de dublagem, já que as gravações das vozes originais não foram encontradas. Esse processo de recuperação está no curta-metragem A última praga de Mojica, que antecede a exibição do filme propriamente dito.
Já A Praga é um filme com um quê de Nelson Rodrigues, contando a história de Juvenal (Felipe Von Rhein) e Marina (Silvia Gless), que, numa viagem de carro, se deparam com uma bruxa (Wanda Kosmo), que joga uma praga no homem após ele tirar uma foto dela. A princípio, eles não levam a sério, mas, aos poucos, isso vai consumindo a vida dele, acabando com a relação do casal.
Apesar de Zé do Caixão não atuar, sendo apenas o narrador/apresentador, é uma obra típica de seu universo, combinando humor, sexo, horror e uma precariedade cinematográfica que confere um ar de nostalgia e guerrilha ao seu cinema. Juvenal perde sua potência sexual e faz de tudo em busca de reverter a situação. O que sucede não é nada de novo na obra do cineasta, chegando às vias de fato com o horror corporal.
Porém, nunca deixa de ser uma diversão – e uma descoberta para novas gerações – ver um filme desse diretor no cinema. Não vai surpreender muito, mas valem a curiosidade e o esforço de Puppo e sua Heco Produções em recuperar a obra e a levar ao público. É também a lembrança de um cinema de guerrilha, feito artesanalmente, que Mojica produzia com muito gosto e qualidades, e assim conquistou uma legião de fãs no Brasil e no exterior.
