24/06/2026
Drama

Canção ao longe

Jimena é uma jovem arquiteta em busca de seu rumo na vida. Ela ainda mora com a mãe e a avó, mas pensa em construir seu próprio lar. Uma carta do pai, que não vê há anos, a faz repensar suas escolhas.

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Primeiro longa solo de Clarice Campolina (Enquanto estamos aqui, codirigido por Luiz Pretti; e Girimunho, com Helvécio Marins Jr), Canção ao longe é um estudo de personagem. Jimena (Mônica Maria), uma jovem cuja vida se encontra estagnada. Vivendo com a mãe e a avó, a jovem arquiteta procura seu lugar no mundo, não apenas de maneira metafórica, mas também literal, em busca de uma nova casa para viver sozinha, construir seu verdadeiro lar.
 
A moça passou a vida toda com elas, e a relação com seu pai se dá por meio de cartas. Ele foi embora para seu país, Peru, e de lá pergunta porque ela ainda vive com as duas. Jimena passa a se questionar e decide que talvez realmente deva procurar um apartamento para si.
 
Esse é um daqueles filmes em que “nada acontece”, e está muito baseado na vida interior da personagem. Jimena não é muito ativa, é mais reativa, tanto que a ideia de sair de casa é uma reação à carta do pai. Nesse sentido, esse estudo de personagem roteirizado por Campolina, Caetano Gotardo e Sara Pinheiro, é uma investigação do processo de amadurecimento da protagonista que encontra em Mônica Maria uma excelente intérprete para o papel.
 
Jimena gosta de acompanhar, de longe, o ensaio de uma orquestra, acaba se envolvendo com um músico (Jhon Narváez). Num passeio com ele e seu filho pequeno, parece que está descobrindo que também quer uma família para chamar de sua. São questões muito internas da personagem, que Campolina tenta traduzir em imagens, numa fotografia realista, mas que também é marcada por uma certa escuridão e planos bem fechados que dão uma sensação claustrofóbica, como a vida da personagem.
 
A busca por sua identidade também perpassa a busca pelo passado de seu pai quando vivia na cidade dela, Belo Horizonte. Numa cena muito bonita, ela vai a um sebo, que tinha sido dele e ela nem sabia. Lá uma jovem atendente muito entusiasmada conversa sobre livros, e Jimena pergunta qual é o livro mais antigo que tem ali. A moça sugere um da década de 1950, mas a protagonista explica: não, o mais antigo que está na loja. Por meio do contato com esse livro, busca um contato simbólico com o passado do pai.
 
Construir o presente e, ainda mais, o futuro, diz Canção ao longe, passa pela compreensão do passado. Ou mais do que isso: fazer a pazes com o que somos, que é a somatória de tudo que nos trouxe até aqui. Enquanto suas amigas seguem em frente – uma delas anuncia a gravidez, e diz que Jimena será a madrinha –, a protagonista precisa primeiro lidar com o agora para depois pensar no que fazer dali para a frente.
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