Exibido em première mundial na seção Berlinale Special,no Festival de Berlim 2023, Golda - A Mulher de uma Nação, do diretor israelense Guy Nattiv, trouxe à tela uma peculiar encarnação da célebre primeira-ministra de Israel, Golda Meir, interpretada com brio pela atriz britânica Helen Mirren - um papel que, pelo empenho e a transformação física, certamente deve credenciá-la a uma nova indicação ao Oscar, que seria sua quinta (ela já venceu uma vez em 2007 por A Rainha).
O roteiro, assinado por Nicholas Martin, focaliza a figura de Golda durante os dramáticos acontecimentos da Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973. É um momento terrível para a Dama de Ferro de Israel, que está se tratando secretamente de um linfoma e enfrenta decisões dificílimas diante do ataque simultâneo de tropas sírias e egípcias que estão levando a melhor e provocam pesadas perdas ao exército israelense durante a maior data religiosa judaica, o Dia do Perdão.
Atriz com muitos recursos, Helen Mirren sustenta o interesse numa história cujos detalhes muitos podem não conhecer mas que teve uma imensa repercussão em Israel, influenciando decisivamente na imagem da primeira-ministra, que era muito popular mas foi bastante questionada por suas decisões naquele episódio. Por conta dessa densidade da atriz, pode-se ao menos avaliar o que era estar na pele de Golda naquela situação, o que não é pouco.
Da mesma forma, não escapa ao olhar a particularidade de que Golda era a única mulher no meio de vários homens em postos de poder, o que, ainda mais no contexto de 50 anos atrás, era um desafio à parte para a imposição de sua autoridade. Nesse embate, ainda que o filme seja um tanto contido e não pretenda, certamente, esgotar todas as possibilidades de análise do episódio, cria-se um espaço para empatizar com a humanidade de Golda, que era tudo menos uma mulher preocupada em agradar, imbuída de um compromisso inegável com a responsabilidade de seu posto. E, também por isto, disposta a pagar o preço por todas as suas decisões.
