04/07/2026
Drama

As Oito Montanhas

Dois garotos, um da cidade, outro da montanha, tornam-se amigos quando o primeiro vem com sua família passar férias numa região montanhosa da Itália. Eles continuam se vendo até a maturidade e, embora sigam rumos diferentes, conseguem manter um vínculo.

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Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes 2022, As Oito Montanhas tem a Itália no DNA mas, na verdade, é uma coprodução entre esse país, a França e a Bélgica, de onde vêm sua dupla de diretores, Felix von Groeningen e Charlotte Vandermeersh (ela, uma atriz estreante na direção). 
 
Falada em italiano, trata-se de uma adaptação bastante sensível do romance homônimo de Paolo Cognetti - traduzido fielmente no Brasil como As Oito Montanhas -, acompanhando diversas etapas da vida de dois amigos, Pietro (adulto, interpretado por Luca Marinelli) e Bruno (Alessandro Borghi). Pietro é o rapaz da cidade, no caso, Turim; Bruno, o rapaz das montanhas onde a família de Pietro aluga uma casa para passar os verões. 
 
As montanhas, além do cenário, simbolizam os percursos acidentados e exigentes exigidos pela vida para chegar à maturidade. Os diretores, que assinam o roteiro, fazem um bom trabalho na composição dos personagens em suas várias idades, bem como do papel desempenhado pelas duas famílias no destino dos protagonistas. 
 
Aparecem mais os pais de Pietro (Elena Lietti e Filippo Timi), destacando-se a diferença do peso desta figura paterna na vida dos dois rapazes, mais problemática no caso do filho biológico.
 
Certamente, é um filme que diz muito mais sobre a condição masculina, embora as mulheres exerçam algumas influências pontuais. O foco está nesse processo constante de aproximação e distanciamento entre dois homens de mentalidades e vivências diferentes mas que periodicamente se reconectam - num olhar filtrado por Pietro, que se torna escritor e o narrador que ocasionalmente se ouve, tornando-se o porta-voz desta memória.
 
Luca Marinelli firma-se como um dos principais atores da Itália de sua geração, ele que foi visto em filmes como Uma Questão Pessoal, de Paolo Taviani, e Martin Eden, de Pietro Marcello. Na pele de um personagem cujo turbilhão interior é particularmente mais difícil de transmitir, ele se supera numa capacidade de expressão ao mesmo tempo sutil e intensa.
 
Fotografado com a mesma sutileza por Ruben Impens, com montagem de Nico Leunen, o filme se ressente um pouco de sua duração - 2h27 - mas não decepciona.
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