04/07/2026
Drama Comédia

Nosso amigo extraordinário

Milton é solitário, recebe visitas periódicas da filha, mas não tem com quem conversar, falar de suas alegrias e tristezas. Quando uma nave alienígena cai em seu jardim, ele encontrará um confidente no silencioso extraterrestre que hospeda em sua casa, e de quem cuida com a ajuda de duas vizinhas.

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De certa forma, Nosso amigo extraordinário é um E.T. – O Extraterrestre protagonizado por pessoas mais maduras. Mas o filme de Marc Turtletaub não tem a mesma magia que o de Steven Spielberg. Além disso, o foco é outro. Por outro lado, é um pequeno milagre que existam filmes americanos que não sejam protagonizados por ou endereçados a pessoas de, no máximo, 20 anos.
 
O roteiro, assinado por Gavin Steckler, é bastante honesto sobre as questões biológicas e sociais do envelhecimento, e também o etarismo do presente, nas figuras de Milton (Ben Kingsley, usando uma peruca estranha), Sandy (Harriet Harris) e Joyce (Jane Curtin), um trio que se depara com um alienígena silencioso (Jade Quon), a quem dão o nome de Jules.
 
Essas são três pessoas solitárias. Milton, em cujo quintal cai a nave alienígena, recebe visitas periódicas de sua filha, Denise (Zoe Winters), mas há anos não fala com o filho, que se mudou para outra cidade. Joyce pensa muito em seu passado de glória, enquanto Sandy tem tanta vontade de se conectar com as pessoas que pendura cartazes pela pequena cidade onde moram chamando jovens para conversar com ela.
 
Se nenhum deles é um personagem com muita profundidade, materializando mais ideias e ideais do que pessoas, a chegada de Jules transforma a vida de cada um. Milton recebe Jules como um visitante desse planeta. Instala o alienígena em sua casa, enquanto este tenta arrumar sua nave especial e, em outros momentos, ouve as histórias – sem nunca dizer nada – do trio.
 
Nosso amigo extraordinário é, assumidamente, um filme estranho que joga em sua dualidade entre o real e a fantasia. Um alienígena pode realmente ter caído no quintal de Milton, mas também pode ser uma mera fantasia – e as duas vizinhas entram no seu jogo – de um cérebro que está envelhecendo e mostra sinais de cansaço.
 
Além dessas, não há muitas complicações na trama, não há grandes problemas, nem grandes epifanias. É um filme de ambições pequenas e doces, um olhar carinhoso a um trio de personagens que, na vida, não recebem tanta atenção. É um filme repleto de boas intenções, mas também, ao mesmo tempo um pouco insípido. Enfim, uma forma agradável de se passar hora e meia, mas que já se esquece ao sair do cinema. 
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