17/07/2026
Documentário

Eu deveria estar feliz

Quatro mulheres de vidas muito distintas compartilham uma experiência traumática: todas enfrentaram a depressão pós-parto. O filme aborda essa questão, um mal que comete 25% das mães brasileiras, por meio das histórias de cada uma delas.

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O primeiro grande mérito de Eu deveria estar feliz é abordar de forma sincera a depressão pós-parto, atualmente, mais conhecida como depressão perinatal. Uma pesquisa recente, feita pela fundação britânica Parent-Infant, aponta que uma em cada dez mulheres sofre dessa depressão. No Brasil, segundo a Fiocruz, o número é mais alarmante, 25%.
 
O documentário de Cláudia Priscilla coloca em cena quatro mulheres que passaram por essa experiência. Os depoimentos em primeira pessoa são tão reveladores quanto comoventes. Em comum, mulheres numa sociedade patriarcal que as ensina, desde muito pequenas, com discursos e práticas sociais, que devem ser mães e adorarem isso.
 
Sem cair no sensacionalismo ou em achismos baratos, o filme mergulha nesses relatos, nas dores e dificuldades de cada uma das entrevistadas, e o processo de cada uma para lidar com essa depressão. São histórias individuais que, unidas, constroem um painel mais amplo.
 
Como documentarista – seja em parceria com Kiko Goifman ou em seus filmes solo –, Cláudia Priscilla é uma cineasta atenta a questões de gênero, e as filma com delicadeza e curiosidade. Eu deveria estar feliz, a começar pelo título, tenta desvendar a posição da mulher numa sociedade marcada pelo machismo, como a brasileira, onde, historicamente, a maternidade é vista como uma dádiva e condena qualquer mulher que a questione.
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