O drama francês A Casa dos Prazeres não é muito diferente de outros filmes que já se viu sobre prostituição e bordéis – especialmente os de luxo – mas o fato de ser dirigido por uma mulher, Anissa Bonnefont, ajuda a trazer um olhar menos viciado e romantizado do que o masculino.
O filme é baseado no livro da jornalista francesa Emma Becker que, durante dois anos, trabalhou sem revelar sua identidade real num bordel de luxo em Berlim, onde pretendia pesquisar para escrever sobre os clientes. Mas afinal acabou descobrindo que as histórias de suas colegas eram muito mais interessantes e valiam a pena ser contadas. O resultado é o livro-reportagem controverso, que foi publicado na França, originalmente, em 2019.
No filme, Emma é interpretada por Ana Girardot, que faz uma versão da jornalista real. Em busca de escrever seu grande livro, ela vai para Berlim, onde começa a trabalhar num bordel caríssimo. A ideia era ficar algumas semanas, mas o tempo passa e, por diversas razões, ela acaba se mantendo naquele emprego. Como bem mostra o filme, o alto dinheiro que recebe é um dos motivos que pesam.
Nesse mesmo lugar, ela faz novas amigas. E o filme ganha muito quando mostra a interação entre as mulheres quando não estão trabalhando. São conversas sinceras sobre suas vidas e expectativas, assim como sobre o trabalho. As atuações do elenco feminino são bastante boas e sinceras – em especial a espanhola Rossy de Palma, como uma profissional que já não é mais tão requisitada por conta da idade.
O pôster do filme, que tem um design bem parecido com do filme Emmanuelle, de 1974, dá um pouco ideia de onde Bonnefont está mirando. Evidentemente, há bastante erotismo e cenas de sexo levemente explícitas, que, às vezes, quebram o ritmo do filme - mas, também, é de se pensar se haveria outra forma de retratar a profissão. Se a diretora usasse de pudores, poderia ser acusada de estar romantizando o trabalho das prostitutas, ou se exagerasse, se poderia dizer que está explorando o corpo das atrizes. A cineasta se coloca num posição delicada mas, ao mesmo tempo, consegue fazer um filme que esses não são os momentos centrais. Como na vida da personagem Emma, aqui, há muito mais do que apenas o sexo.
