Procura-se delinear um retrato deste bairro destituído, em que os corações e mentes dos jovens locais são disputados entre o capo e o padre don Luigi (Francesco di Leva) - que mantém um projeto social em sua igreja e desafia a “autoridade” dos criminosos, que ameaçam e assassinam moradores. A chegada de Felice acende uma mal-resolvida rivalidade com Oreste por liderança e significado numa comunidade em que os valores são continuamente postos à prova. Em quais instituições se pode confiar em condições tão precárias? Restam apenas os exemplos de vida.
Quarenta anos atrás, Felice abandonou sua cidade natal, Nápoles, deixando para trás uma adolescência em que flertara com o crime. De volta para rever sua velha mãe, Felice reencontra o ambiente de seu passado e também seu velho amigo, Oreste Spasiano, que se tornou o chefão local da Camorra.
- Por Neusa Barbosa
- 03/10/2023
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O drama italiano, Nostalgia, de Mario Martone, adapta o romance homônimo do autor napolitano Ermanno Rea para traçar o retorno de um homem, Felice Lasco (Pierfrancesco Favino), à sua Nápoles natal.
Nesse percurso, depois de 40 anos de ausência, ele busca não só rever sua velha mãe, Teresa (Aurora Quattrocchi), como revisitar uma adolescência um tanto atribulada - período em que ele flertou com a criminalidade. Ficou para trás o velho e antes inseparável amigo Oreste Spasiano (Tommaso Ragno), que se tornou o chefão local da Camorra, no velho bairro La Sanitá.
Partindo de uma premissa interessante, de vários modos, o filme italiano constrói sua estrutura em torno deste contraste entre as trajetórias de vida de Felice e Oreste sem procurar propriamente uma afirmação moral, apenas um mergulho em duas circunstâncias e escolhas que resultaram muito diferentes. Felice é interpretado com a habitual dedicação pelo talentoso Favino, um dos atores mais frequentes e celebrados do cinema italiano recente, visto numa coprodução com o Brasil O Traidor, na pele do mafioso Tommaso Buscetta.
