04/07/2026
Drama

Nostalgia

Quarenta anos atrás, Felice abandonou sua cidade natal, Nápoles, deixando para trás uma adolescência em que flertara com o crime. De volta para rever sua velha mãe, Felice reencontra o ambiente de seu passado e também seu velho amigo, Oreste Spasiano, que se tornou o chefão local da Camorra.

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O drama italiano, Nostalgia, de Mario Martone, adapta o romance homônimo do autor napolitano Ermanno Rea para traçar o retorno de um homem, Felice Lasco (Pierfrancesco Favino), à sua Nápoles natal. 
 
Nesse percurso, depois de 40 anos de ausência, ele busca não só rever sua velha mãe, Teresa (Aurora Quattrocchi), como revisitar uma adolescência um tanto atribulada - período em que ele flertou com a criminalidade. Ficou para trás o velho e antes inseparável amigo Oreste Spasiano (Tommaso Ragno), que se tornou o chefão local da Camorra, no velho bairro La Sanitá. 

Procura-se delinear um retrato deste bairro destituído, em que os corações e mentes dos jovens locais são disputados entre o capo e o padre don Luigi (Francesco di Leva) - que mantém um projeto social em sua igreja e desafia a “autoridade” dos criminosos, que ameaçam e assassinam moradores. A chegada de Felice acende uma mal-resolvida rivalidade com Oreste por liderança e significado numa comunidade em que os valores são continuamente postos à prova. Em quais instituições se pode confiar em condições tão precárias? Restam apenas os exemplos de vida. 

Partindo de uma premissa interessante, de vários modos, o filme italiano constrói sua estrutura em torno deste contraste entre as trajetórias de vida de Felice e Oreste sem procurar propriamente uma afirmação moral, apenas um mergulho em duas circunstâncias e escolhas que resultaram muito diferentes. Felice é interpretado com a habitual dedicação pelo talentoso Favino, um dos atores mais frequentes e celebrados do cinema italiano recente, visto numa coprodução com o Brasil O Traidor, na pele do mafioso Tommaso Buscetta. 
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