04/07/2026
Drama

Os filhos dos outros

Rachel é uma professora de francês no ensino médio que está entrando na maturidade. Ela se apaixona por um designer, Ali, que é divorciado e tem uma filha de 5 anos, Leila. Rachel começa a afeiçoar-se pela menina, que vira uma espécie de filha que ela nunca teve. Mas outros problemas surgirão.

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Concorrente no Festival de Veneza 2022, o delicado drama francês Os filhos dos outros, da diretora Rebecca Zlotowski (Grand Central) discute a questão da maternidade de uma forma que expande os habituais clichês em torno do tema. Sua protagonista é Rachel (Virginie Efira), uma professora de francês do ensino médio que se envolve com um designer, Ali (Roschdy Zem), pai de uma menina de 5 anos, Leila (a encantadora Callie Ferreira-Gonçalves).
 
Até então resistente a tornar-se mãe, Rachel começa a sonhar com a ideia, ao envolver-se emocionalmente com a filha de seu namorado e também premida pelos conselhos de seu ginecologista (uma ponta surpreendente do documentarista Frederick Wiseman). O filme toma o pulso neste momento de questionamento de uma mulher livre, no limiar da maturidade, confrontada com os múltiplos compromissos de Ali, que é pressionado por vestígios do vínculo com sua ex-mulher e mãe da menina, Alice (Chiara Mastroianni).
 
Roteirizado pela diretora, o filme ganha densidade ao aprofundar sua protagonista, apresentando-a não só em sua relação apaixonada com Ali como também nos vários ambientes em que atua: como a escola onde leciona e se coloca como uma professora atuante, pronta a exercer sua influência para ajudar alunos problemáticos, como Dylan (Victor Lefebvre); e o círculo íntimo de sua família judia, que inclui o pai viúvo (Michel Zlotowski) e a irmã Louana (Yamé Couture).
 
A narrativa assume decididamente o ponto de vista de Rachel: como ela entra neste relacionamento amoroso, como ela se coloca na vida profissional e familiar, como ela se interessa pela filha do namorado, com quem mantém um relacionamento que se aprofunda. E este é o foco do filme: que direitos você tem quando assume uma “filha substituta”? 
 
Não é uma questão simples mas o importante é que o enredo e a direção contemplam os vários aspectos da vida e da personalidade de Rachel, de modo a não esgotá-la em sua necessidade de exercer um amor maternal. Ela é uma personagem cheia de vida, de opções e de escolhas, cujas camadas Virginie Efira é capaz de desdobrar com muita sensibilidade e empenho, numa interpretação que lhe deu o prêmio Lumière de melhor atriz. 
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