20/02/2024
Infantil Ficção Documentário

Um filme de cinema

Para fazer o trabalho em grupo da escola, a pequena Bebel propõe ao seu grupo fazer um filme. Para isso, espera contar com o equipamento e o apoio de seu pai, um cineasta.

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Como qualquer criança que recebe a missão de fazer um trabalho em grupo na escola, Bebel Mendonça quer, além da boa nota, impressionar os amigos. A tarefa era contar uma história, poderia ser escrita, desenhada, mas ideia dela é fazer um filme – uma vez que seu pai é cineasta e tem todo o equipamento. Não contava ela com a resistência dele em não querer emprestar sua câmera cara e grande a um grupo de crianças.
 
Assim começa Um filme de cinema, um jogo lúdico entre a metalinguagem, o documentário e a ficção no qual o cineasta Thiago B. Mendonça colocou ao centro sua filha Bebel, que tinha 7 anos na época da filmagem. Valendo-se de um alter-ego, interpretado por Rodrigo Scarpelli, o diretor faz um longa que brinca com a produção cinematográfica e com as possibilidades do cinema em sensibilizar, emocionar e também construir um olhar.
 
Esse é um filme voltado ao público infantil que desmistifica a complexidade do trabalho atrás das câmeras colocando uma delas nas mãos de crianças para que façam seu filme. Depois de muito insistir e fazer um pouco de pirraça, o pai aceita que Bebel use uma câmera antiga e menor para fazer o trabalho escolar.
 
É raro como um filme infantil se coloca na altura – inclusive a câmera – de seus personagens e público, fugindo ao didatismo exacerbado. Viajando pela história do cinema, o longa tem como força a relação entre o pai (personagem) e Bebel, e a maneira como os dois se aproximam dos filmes em si. Ele, cineasta e cinéfilo veterano, chega com seu olhar já enviesado e, de certa forma, viciado, enquanto ela, repleta de frescor, o ajuda a redescobrir o amor por essa arte.
 
Há cenas bastante bonitas de recriação de filmes antigos – de Chaplin a Buster Keaton – assim como o artesanato das crianças fazendo seu próprio filme. O dispositivo adotado por Mendonça pode não ser novo, mas, para o público mirim a que se dirige, é, sim, uma novidade e também o descortinamento de uma arte que precisa estar perto e desmistificada de seu público desde a menor idade.
 
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