04/07/2026
Drama

A linha

Christina é uma ex-cantora e pianista que tem um relacionamento instável com as três filhas, Margaret, Louise e a pequena Marion. Margaret, particularmente, tem atritos com ela. Um dia, a briga entre elas chega à agressão física e provoca uma ruptura. Marion tudo fará para intermediar uma reconciliação.

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Dirigido pela cineasta franco-alemã Ursula Meier, este drama eventualmente histérico delimita o relacionamento extremado entre uma mãe, a ex-cantora e pianista Christina (Valeria Bruni Tedeschi), e suas três filhas, Margaret (Stéphanie Blanchoud), Louise (India Hair) e a caçula, Marion (Elli Spagnolo, um encanto). 

O filme já começa em voltagem extrema, com uma briga violenta entre Margaret e a mãe, que termina com muitos objetos quebrados e a mãe ferida. O incidente, que não é o primeiro causado por Margaret, acarreta-lhe uma medida de restrição de contato - ela não pode chegar mais perto do que a 100 metros da mãe, a linha de que fala o título.

Diretora de filmes como Minha Irmã (2021), Ursula coloca nas mãos de suas personagens uma história visceral de dependência, afeto, cobranças, culpas e o desejo da caçula, Marion, de tudo consertar com suas orações - um esforço não raro comovente, dadas as circunstâncias.

O roteiro, assinado pela diretora, a atriz Stéphanie Blanchoud - que defende o papel mais difícil de todos - e Antoine Jaccoud põe em marcha o retrato de uma família alquebrada, fragmentada, em que a busca de amor de cada um dos integrantes se dá por vias tortas. Margaret procura amor e aceitação da mãe, que por sua vez encontra mais satisfação no relacionamento com inúmeros namorados do que na maternidade, O oposto disso é a filha do meio, Louise, grávida de gêmeos e a mais ligada à domesticidade. Os homens entram nesse mundo como coadjuvantes, com destaque para Benjamin Biolay, o amigo que tenta segurar as pontas de Margaret no auge de sua crise pessoal.

Num filme com tantos papeis femininos de peso, a diretora optou por desfiar os caminhos de uma feminilidade em crise, exasperada, mas que não perde a esperança na sororidade, ainda que difícil.

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