04/07/2026
Comédia Drama

Quem fizer ganha

Depois de perder por 31 a 0 num jogo contra a Austrália nas eliminatórias da Copa, em 2001, a pequena Samoa Americana decide que é hora de parar de passar vergonha e contrata o técnico americano para transformar o time.

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O complexo do branco salvador ganha novos contornos na comédia futebolística Quem fizer ganha, do neozelandês Taika Waititi. O cenário é a Samoa America, uma pequena ilha no Pacífico cuja seleção nacional ostenta o duvidoso recorde da maior derrota numa eliminatória, com um placar de 31 a zero para a Austrália em 2001. Fora isso, o time nunca marcou um gol em toda sua história.

A função do novo técnico, importado dos EUA, não é transformá-los em vencedores, mas apenas fazer com que a bola toque, ao menos por uma vez, a rede do gol do time adversário. O treinador é Thomas Rongen (Michael Fassbender), americano de ascendência holandesa, que é mandado para Samoa depois de quase acabar com sua carreira com reações violentas e exageradas em campo. 

Numa cena um tanto engraçada, enquanto conversa com dirigentes da liga americana, entre eles, sua ex-mulher (Elizabeth Moss), ele é demitido e passa naquele curto espaço de tempo pelos cinco estágios do luto. Tudo, é claro, é feito de maneira cômica. A única saída para a carreira de Rongen é, conforme sugerem, mudar-se para Samoa e treinar o time local. 

Não é preciso ter visto o documentário homônimo de 2014, ou qualquer outro filme na vida, para saber onde isso tudo vai chegar. Mais do que ajudar a equipe a fazer seu primeiro gol, o técnico precisa lidar com seus traumas do passado, que o transformaram nessa pessoa ranzinza. A interação com o time, marcado por pessoas de bom coração mas sem muito talento para o futebol, irá transformá-lo na medida em que ele também os transforma. 

Os jogadores do time não são, em si, personagens muito marcantes, são vistos mais como uma equipe do que como indivíduos. O destaque está mesmo para a atleta transexual Jaiya (interpretada pelo ator não-binário Kaimana), a quem Rongen chama pelo nome de batismo, Johnny, quando quer ofendê-la, mas será com ela que finalmente aprenderá a lição de respeitar a todas e todos. 

Waititi não ambiciona um filme profundo, quer uma comédia de bom coração, mas que, no fundo, não é tão engraçada como ele pensa que é. Os personagens tentam excessivamente fazer humor, e Fassbender está num filme cercado de pessoas fazendo caras e bocas, sem saber muito bem como lidar com toda essa caricatura de seres humanos. Os momentos mais sinceros do filme são da personagem Jaiya, ciente de que, ao completar sua transição, não poderá mais jogar profissionalmente com os colegas do time masculino. 

O futebol pode ser chamado de belo jogo, mas o filme não tem nada de belo. Nem as paisagens encantadoras da Samoa Americana são bem aproveitadas. Tudo parece ser de segunda mão aqui, fazendo com que a trajetória da seleção local não tenha qualquer brilho, assim como o esforço do time e do treinador. 

 

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