18/07/2026
Terror

O senhor do caos

A reverenda Rebecca Holland (Tuppence Middleton) há pouco se mudou para uma pequena comunidade rural e isolada, sendo muito bem recebida por todos. Porém, durante a celebração do solstício de verão, uma cerimônia pagã, sua filha de 9 anos (Evie Templeton) desaparece, trazendo à tona mistérios e segredos do passado. Nos cinemas.

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Se alguém estava com saudades de um folk horror na melhor tradição de O Homem de Palha, que completou 50 anos há pouco, irá se frustrar com O Senhor do Caos, que pega muito emprestado do clássico de Robin Hardy sem nunca chegar nem perto de alcançar os mesmos efeitos. 

Dirigido por William Brent Bell (A Órfã 2: A Origem), o longa tenta se adaptar às sensibilidades contemporâneas dando o papel de protagonista a uma personagem feminina e colocando ao centro a questão da maternidade. Mas, no fim, isso acaba perdido num filme de sustos baratos e pouca originalidade. 

A reverenda Rebecca Holland (Tuppence Middleton) e o seu marido, o também reverendo Henry (Matt Stokoe), há pouco se mudaram para um pequeno vilarejo isolado, Burrow, onde foram muito bem recebidos. A prova disso é que a igreja está sempre lotada durante os serviços de domingo. O casal e sua filha pequena, Grace (Evie Templeton), se preparam para a festa típica local que acontece todo ano no solstício de verão. A menina está particularmente animada, pois será o Anjo da Colheita. 

Rebecca, por sua vez, não se incomoda nem um um pouco de participar de uma festa pagã, não há nada de errado nisso, até que, durante os festejos, à noite, sua filha desaparece. O sumiço, conforme se descobre, pode ou não estar ligado a outros antigos rituais do vilarejo. 

Bell, trabalhando com um roteiro de Tom de Ville, vale-se mais da atmosfera do que da narrativa que, mais cedo ou mais tarde, irá esbarrar na figura de Jocelyn Abney (Ralph Ineson), um sujeito taciturno e misterioso que também esconde seus mistérios do passado. 

A trama joga pistas para todo lado, tornando-se mais um filme de procedimento investigativo do que terror. Rebecca se transforma numa personagem mais comum, sem muita nuance ou originalidade. Já seu marido é totalmente descartável ao longo do filme – assim como boa parte dos personagens, que são mais tipos humanos do que pessoas mesmo. 

O excesso de coisas estranhas acontecendo o tempo todo se torna enfadonho, e perde  força que Bell acredita estar trazendo ao filme. Os elementos religiosos nem sempre funcionam a contento – a cena final é particularmente ruim -, e reduzem o potencial de O Senhor do Caos apenas a um filme que louva o cristianismo em detrimento dos supostos perigos do paganismo. 

 

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