18/07/2026
Terror

O mal que nos habita

Pedro e Jaime são dois irmãos que vivem numa pequena fazenda no interior da Argentina. A cidade começa a ser tomada por uma força demoníaca que passa de uma pessoa a outra, e eles precisam descobrir como acabar com isso.

post-ex_7

O terror que mais assusta no argentino O mal que nos habita não precisa ser necessariamente visual – embora até existam elementos desse tipo no filme –, mas histórico. Como em boa parte da América Latina, persistem na Argentina os demônios do passado recente ditatorial, que se alimentam da ingenuidade das pessoas. Nada disso está explícito no longa escrito e dirigido por Demián Rugna, mas a maneira como o filme olha para a tragédia na vida de seus personagens permite a percepção de um mal que permanece entre eles há muito tempo. 

A possessão demoníaca está presente entre os moradores da pequena cidade onde a trama se passa, transformando os possuídos em “podres” e também em contagiosos, já que é possível passar o mal facilmente de uma pessoa a outra. Não existem demônios explícitos aqui, mas, exatamente, o mal que habita os personagens. 

Os irmãos Pedro (Ezequiel Rodríguez) e Jaime (Demián Salomon), donos de uma fazenda, descobrem que, na região, existe um homem “podre”. Trata-se do filho de uma família pobre, cujo corpo se degradou de tal forma que ele é incapaz de sair da cama. Ao tentar livrar-se do homem, no entanto, Pedro, uma espécie de herói aqui, acaba espalhando o mal ainda mais. 

A possessão como uma doença lembra os primeiros momentos da pandemia de Covid-19, com uma combinação de informações incorretas, negação e incapacidade das autoridades em lidar com o caos sanitário. A possessão espalha-se como um vírus, e não adianta matar os possuídos a bala, é preciso fazer outro tipo de ritual. As roupas também se contaminam, pois quando Pedro vai reencontrar seus filhos, com quem tem pouco contato, ele deixa as roupas fora da casa da ex-mulher. 

Rugna, ao mesmo tempo, segue as regras do gênero e as abandona, fazendo de seu O mal que nos habita um filme particular, sem medo de mostrar a violência contra animais e crianças, mas também personagens guiados pelos sentimentos e emoção, que os toma em momentos extremos, quando a racionalidade parece abandonar a percepção. Isso tudo torna o filme ainda mais assustador, pois explora como os humanos perdem a noção e o bom senso em situações extremas – exatamente quando mais precisavam disso tudo. 

post