02/07/2026
Drama Biografia

Garra de ferro

Os irmãos Von Erich se destacaram no mundo da luta livre, no começo dos anos de 1980. Porém, o sucesso escondia as tragédias pessoais de uma família complicada. Nos cinemas.

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Garra de Ferro é o nome do golpe marca-registrada de Fritz Von Erich, cujo nome real era Jack Adkisson, e que fez fama nos anos de 1950 no mundo da luta livre. Como tudo nesse esporte, o movimento é uma mistura de encenação com violência real, que consiste em imobilizar o adversário usando uma das mãos para apertar suas têmporas. O golpe foi herdado por seus filhos, que também se destacaram no esporte, mas também ficaram conhecidos pela história trágica – algo que se transformou numa maldição na família. 

Escrito e dirigido por Sean Durkin, Garra de Ferro é a história desse clã, mas também da masculinidade tóxica e de como o machismo faz mal também para os homens – embora, em menor grau, obviamente, do que para as mulheres. Os quatro filhos são Kevin (Zac Efron), Kerry (Jeremy Allen White), David (Harris Dickinson) e Mike (Stanley Simons), criados sob a implacável batuta do pai, Fritz (Holt McCallany), e da mãe, Doris (Maura Tierney), uma fanática religiosa. 

Seguindo o desejo do pai, mais do que deles mesmos, os rapazes um a um entram no mundo da luta livre profissional, e pagarão um preço por isso. Fritz nunca esconde que tem um filho preferido, e isso muda conforme o sucesso de cada um. Por boa parte do tempo é Kerry, mas poderá vir a ser David, quando esse se torna o destaque da família. A tal maldição da família é uma paranoia que os consome, fora toda a pressão paterna, inclusive com o clichê “homem não chora”. 

É o peso da necessidade de performar – seja no ringue ou mesmo na vida – que sufoca, e, mais cedo ou mais tarde, destrói cada um dos irmãos. Durkin busca encontrar o que há no fundo da psique desses homens. O que está escondido debaixo das montanhas de músculos? E, nesse sentido, o filme é mais sobre a compreensão das aflições de cada um do que um drama sobre o esporte. 

Kevin se casa com Pam (Lily James), e é o único a constituir uma família. Talvez essa seja sua salvação, afinal os demais irmãos ficam à mercê dos desejos do pai. Não que Kevin consiga fugir completamente disso, mas ele tem em quem se agarrar para sobreviver aos abusos disfarçados de motivação paternal. E se o filme começa explorando os louros da vitória e da fama, logo se transforma numa sucessão de tragédias pessoais que ceifa as vidas dos Von Erich.

Para um filme sobre luta, pancadas e pontapés, Garra de Ferro se ressente da falta de um certo punch. É bem filmado, mas, em certa medida, inócuo. A dolorosa trajetória da família parece ser mais fruto de superstição do que resultado dos abusos e da falta de sorte. O que há dentro da mente desses homens, cujas vidas e trajetórias são consequências da frustração do próprio pai? Não sabemos, ou não interessa muito ao filme. 

Kevin é o centro do filme, e os demais irmãos entram e saem (nem sempre com vida) sem que possamos acessá-los mais profundamente. De qualquer forma, ao se concentrar nesse personagem o filme destaca sua história e sua jornada em busca da superação nem tanto das derrotas, mas da opressão paterna, embora, ao fim, se torne uma obra de autoajuda com frases de efeito.  

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