03/07/2026
Drama

Dias perfeitos

Hirayama vive uma vida contemplativa e serena, trabalhando como faxineiro de banheiros públicos em Tóquio. Apaixonado pela música, literatura e fotografia, seu passado é relevado por meio de diversos encontros que ele tem ao acaso. Na Netflix.

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Wim Wenders é o tipo do diretor que não precisa mais provar nada a ninguém há muito tempo e pode dar-se ao luxo de assinar um filme minimalista como Dias Perfeitos, com que concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional, representando o Japão, e deu, em Cannes, o prêmio de interpretação ao veterano Koji Yakucho - cuja voz não se ouve por praticamente metade do filme.

Dias Perfeitos (que evoca a famosa canção de Lou Reed) acompanha a jornada de Hirayama (Yakucho), um homem solitário que limpa banheiros públicos em Tóquio. A aparência clean e high tech destes banheiros contrasta com o próprio apartamento de Hirayama, uma pessoa totalmente analógica, que tira fotos com uma máquina de filme de rolo, compra livros em sebos e coleciona fitas cassetes, que ouve no carro, com conhecidos sucessos de décadas passadas, a trilha sonora da sua e de muitas vidas.


Em metade do filme, não se ouve a voz deste homem, entretido nas minúcias de seu trabalho exaustivo, que responde com grunhidos às perguntas de seu jovem colega de trabalho e se mostra atento e compassivo em situações que lhe ocorrem pelo caminho - como ajudar crianças perdidas das mães.

Claramente, ele tem uma vida interior mais rica do que a vista alcança, mas isso só começa a ficar mais claro quando ele recebe a visita inesperada de uma sobrinha, Niko (Arisa Nakano). Mas Wenders, que corroteirizou a história com o roteirista e diretor Takuma Takasaki, não dará, no entanto, o mapa completo desta vida. Teremos que preencher por nós mesmos as lacunas de quem é Hirayama, interpretado com sutil intensidade por este ator veterano de 67 anos, visto em filmes de Hirokazu Kore-eda e Shohei Imamura. 

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