Aparentemente, não é apenas a Madonna que fará um show em Copacabana nesse ano. Godzilla, King Kong e cia chegam às areias da praia mais famosa do Brasil, ao som se Samba Toff, de Orlandivo, prometendo tocar o terror na Cidade Maravilhosa, numa batalha climática envolvendo mais GCI do que se imagina.
Antes disso, no entanto, Godzilla e King Kong: O Novo Império, de Adam Wingard, também diretor do anterior Godzilla vs. Kong, faz uma longa parada na Terra Oca, onde descobre que não é apenas a morada de King Kong. Os dois grandes monstros, aliás, precisam ficar separados, pois o encontro deles significa destruição. Enquanto o macaco gigante fica nesse lugar no centro da Terra, o enorme lagarto anda pelas ruas do mundo, mais como aliado dos humanos do que ameaça. Se, por acaso, ele causa alguma destruição, é porque estava tentando matar uma aranha gigante que estava atacando Roma. Despois, é hora do descanso, e se deita no centro do Coliseu como um gatinho ou cachorrinho em sua cama.
Isso vai mais ou menos bem, até que Kong vem à superfície por conta de uma dor de dente, e a cientista Ilene Andrews (Rebecca Hall), uma das responsáveis por manter o macaco longe de Godzilla chama o veterinário Caçador (Dan Stevens), que logo resolve o problema. Mas quando Kong vai voltar para o centro do mundo, por uma passagem no meio do oceano, ela percebe que há algo de errado naquele mundo que está afetando a Terra.
Enquanto isso, Godzilla desperta e ruma para a França, onde irá se carregar com energia nuclear – que deixa seus espinhos nas costas num belo tom de cor-de-rosa neon. O lagarto que viveu dias melhores, de absoluto protagonista, no Oscarizado Godzilla Minus One aqui divide a cena e as atenções, mas Kong se destaca mais, tem mais ação, seu arco dramático, por assim dizer, é mais complexo.
Em sua missão ao centro do mundo, além de levar o Caçador, a Dra Andrews conta com um blogueiro especialista em monstro, Bernie (Brian Tyree Henry) e o piloto da nave Mikael (Alex Ferns). Mas a pessoa mais importante ali será Jia (Kaylee Hottle), filha adotiva da cientista. A menina é a última membra de uma tribo extinta, os Iwi, que se comunicam de forma não-verbal, e são capazes de ler pensamentos.
Os humanos aqui, excetuando a pequena Jia, são mero acessórios para a narrativa, os que importa mesmo são as criaturas, e Godzilla e King Kong: O Novo Império tem uma profusão de seres inesperados, novos e antigos conhecidos, como a mariposa gigante Mothra, que aparece aqui toda revestida de tons luminosos, realmente bonita.
Monstros, como bem sabemos, não são exatamente eles em si. No cinema, na literatura vêm carregados de significados simbólicos. Godzilla é um dos casos mais emblemáticos. A criatura é consequência das bombas nucleares jogadas no Japão em 1946 – ele funciona tanto como uma reposta quando como um sintoma. Isso fica bem evidente em Godzilla Minus One, sendo este um filme japonês, está bem mais interessado nos sentidos históricos do lagartão. Aqui, no entanto, ele e seus companheiros são mais figuras de ação destituídas de um sentido histórico mais profundo – enfim, servem como puro entretenimento mesmo.
