18/07/2026
Documentário

Uma baía

O entorno da Baía de Guanabara serve de cenário para esse documentário observacional, que acompanha o dia-a-dia de pessoas que trabalham em seus arredores.

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Não é difícil imaginar as intenções do cineasta Murilo Salles em Uma Baía, um documentário no qual ele acompanha com certo distanciamento o cotidiano da Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro. Sua câmera é observacional – às vezes, até demais. 

A ideia do filme é não fazer intervenções, como entrevistas e afins, deixar que as pessoas sejam elas mesmas. Então a câmera para e fica observando trabalhadores dos arredores. Ouvimos diálogos, mas são conversas cotidianas, rotineiras. Ao fim, continuamos sem saber quem são essas pessoas que aparecem na tela. 

Até aí, nada de novo, e, a partir daí, também. É um filme repleto de boas intenções e olhares poéticos, mas que não diz bem a que veio. É visível que há uma produção, é bem fotografado e interessado nas figuras humanas, mas não a ponto de dizer quem são. 

Os trabalhadores e trabalhadoras que aparecem fazem, muitas vezes, serviços pesados, trabalho braçal mesmo. E o filme fica lá, apenas olhando. É como se a partir da exploração do trabalho, Uma baía estivesse interessado em criar poesia imagética. É uma escolha, questionável, mas uma escolha do diretor. 

Não deixa de ser curiosa essa diluição ética da exploração do trabalho no filme – não só de humanos, há um cavalo, por exemplo. O filme é dividido em 8 partes, e os nomes das pessoas de cada uma saberemos, apenas, nos créditos finais. É como se mesmo na tela, as figuras fossem invisíveis, suas histórias pouco importassem – mais ou menos como acontece na vida real. 

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