03/07/2026
Comédia Drama

A filha do palhaço

Joana, uma adolescente de 14 anos, aparece para passar uma semana com o pai, Renato, um comediante que apresenta seus shows em churrascarias, bares e casas noturnas de Fortaleza travestido como a personagem Silvanelly. No Sesc Digital até 19/10/2025.

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Reiterando uma tendência no cinema brasileiro mais recente, o longa A Filha do Palhaço, de Pedro Diógenes, sintoniza a nota do afeto. O tema central é a retomada do relacionamento entre um pai, Renato (Démick Lopes, prêmio de melhor ator no Cine Ceará) e a filha adolescente, Joana (Lis Sutter), que cresceu longe dele depois da separação dos pais.

Por conta dessa distância, ambos não se conhecem. O filme é o relato dessa aproximação difícil, sutil, marcada por equívocos mas também por momentos de descoberta, humor e trocas mútuas, que têm um sabor de naturalidade a partir de uma direção que enfatiza as interpretações sutis. 

Outro elemento na composição do roteiro aborda a peculiar cena de humor cearense, a partir da inspiração na popular personagem Raimundinha, interpretada pelo primo do diretor Pedro Diógenes, Paulo Diógenes. No filme, Renato vive de shows em restaurantes e churrascarias com sua personagem Silvanelly, que ele faz  travestido de mulher.

Este desejo de se inspirar nestes temas levou Diógenes, diretor ligado ao grupo Alumbramento, conhecido por um cinema mais experimental, a um novo rumo. “Este é meu oitavo longa mas a sensação é de que é um primeiro filme, porque foi minha primeira vez neste terreno, assim como para várias pessoas da minha equipe”, comentou no debate do Cine Ceará o diretor de Inferninho (codirigido com Guto Parente em 2019), A estrada para Ithaca, Os Monstros e No Lugar Errado, estes três codirigidos com Parente e os irmãos Luiz e Ricardo Pretti.

O protagonista, Démick Lopes, por sua vez, recorreu à sua própria experiência como pai de duas filhas para compor um personagem muito rico em camadas, como ele mesmo diz, “sem nunca pretender julgá-lo”. Um ponto de vista feminino entrou através da participação no roteiro de duas mulheres, Amanda Pontes e Micheline Helena. Na coletiva, Amanda destacou que as duas “ofereceram outros pontos de vista, também pela intenção de não romantizar a figura do pai”, compondo com maior complexidade a figura da mãe (Ana Luiza Rios).

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