03/07/2026
Drama

Jardim dos desejos

Narvel Roth é um cuidadoso jardineiro, encarregado do imenso jardim de uma rica propriedade, pertencente à sra Haverhill. Entre estes dois, há uma relação íntima e secreta, mantida sob controle da mulher poderosa, que tira proveito de um segredo do passado de Narvel. Um dia, chega à propriedade a jovem Maya, sobrinha-neta da milionária, que vem desestabilizar tudo.

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Paul Schrader, o veterano diretor e roteirista norte-americano, diretor de Gigolô Americano, O Dono da Noite e Temporada de Caça, foi a Veneza em 2022 para receber um Leão de Ouro honorário de carreira, dar uma masterclass e também apresentar, fora de competição, seu então mais recente filme, O Jardim dos Desejos.

Nessa obra, Schrader, mais uma vez, comprova sua maestria para contar uma história, neste caso, de um meticuloso jardineiro, Narvel Roth (Joel Edgerton), que cuida do imenso jardim de uma rica propriedade, pertencente à sra Haverhill (Sigourney Weaver). Cercados por esse ambiente quase secreto, segregado da realidade à sua volta, cheio de plantas e flores rigorosamente aparadas e nutridas, estes dois mantém relações de vários níveis, do estritamente profissional ao mais íntimo, sempre mantidos sob controle da mulher poderosa - que tira proveito de uma fragilidade misteriosa envolvendo o passado de Narvel.

Ainda assim, ele vive naquele lugar com muita alegria, dedicado que está ao seu trabalho, num cotidiano repleto de tarefas que absorvem completamente sua atenção e energia. Tudo repousa sobre este equilíbrio estrito até que um dia a sra. Haverhill entrega-lhe uma nova missão: ensinar uma nova aprendiz, a jovem Maya (Quintessa Swindell), que é sobrinha-neta da milionária e foi acolhida por ela, um tanto a contragosto, mas que ela deseja também disciplinar à sua maneira.

Maya tem um passado turbulento e traz consigo uma série de fatores com potencial de desestabilizar a ordem tão meticulosamente instituída nessa propriedade, tão florida e bem-cuidada, traduzindo numa metáfora visual poderosa esse pequeno nicho, mantido à parte da desordem do mundo.

É um filme atraente, de bom ritmo, que passa por temas candentes, como o submundo dos supremacistas brancos, mantendo a adrenalina correndo especialmente quando os acontecimentos levam Narvel a reencontrar uma velha natureza adormecida. O filme guarda alguns dos melhores traços do estilo do bom e velho Schrader, que não foi tão feliz na realização de seu filme posterior, o drama Oh Canada, que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2024. 

 

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