Primeiro filme produzido pelo coletivo Nós do Morro, do Morro do Vidigal, A Festa de Leo é um projeto repleto de boas intenções. Com direção de Luciana Bezerra e Gustavo Melo, o longa, que recebeu o prêmio de melhor atriz para Cíntia Rosa e recebeu uma menção honrosa no XV Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), em Lisboa, se passa todo na comunidade, e tem personagens típicos.
Cíntia interpreta Rita, uma mulher trabalhadora que planeja a festa de seu filho adolescente, Léo (Nego Ney), que fará 12 anos. Mas nada saíra como planejado quando pai do garoto, Dudu (Jonathan Haagensen), rouba o dinheiro da festa, para pagar dívidas.
Com roteiro assinado pelos diretores, o longa acompanha um dia na vida dessas personagens e outras que as cercam, tendo Rita como condutora da narrativa em sua jornada em busca de salvar a festa do filho. O que se sobressai é a união coletiva na ajuda a resolver os problemas.
É curiosa, e talvez pouco explorada no filme, a relação de Rita e Léo com Dudu. Um homem complicado, cheio de problemas, já a decepcionou várias vezes, mas o amor e confiança do garoto são inabaláveis em relação ao pai – talvez a figura mais complexa dentro do longa.
Considerável parte do elenco, nomes já conhecidos, vieram do Nós do Morro, como o próprio Haagensen, e Thiago Martins, Marcelo Mello Jr, Babu Santana, Mary Sheila e Roberta Rodrigues, que aparecem em participações especiais. É um filme feito com empenho, visível carinho e valores de produção (a Globo Filmes também é uma das produtoras).
Falta, no entanto, um pouco mais de ousadia formal. É um filme que, em sua essência, retoma os elementos do cinema convencional, mesmo o tema não o sendo. E como se tomassem a linguagem do opressor emprestada mas sem fazer nada de diferente – o uso de drone é particularmente chamativo. Precisava, porém, se encontrar uma maneira própria de narrar, construir elementos formais reinventados ou resignificados para dar à voz da comunidade sua particularidade. De qualquer forma, é um esforço notório.
