O espanhol Orgulho & Revolução é um filme repleto de sentimentos e boas intenções, mas, ao mesmo tempo, confuso. O roteiro de Carmen Garrido Vacas e do diretor Alejandro Marín não sabe muito bem para onde ir, para onde atirar. Quer falar do presente por meio do passado, mas se perde no anacronismo de suas intenções.
A trama se passa na Sevilha de 1977, quando a homossexualidade era um crime na Espanha, e mostra a formação do MHAR (Movimiento Homosexual de Acción Revolucionaria), por meio da história de uma mãe, Reme (a excelente Ana Wagener), que precisa não apenas aceitar a homossexualidade do seu filho, mas também protegê-lo de um mundo homofóbico e violento.
O filho dela é Miguel (Omar Banana), jovem que sonha em fazer sucesso num programa de televisão como cantor. O filme começa com ele como protagonista, a história de sua própria descoberta e aceitação. Mas, ao longo do caminho, se transforma num filme sobre sua mãe, o que deixa a narrativa um tanto perdida, por mais que Wagener consiga dominar o longa.
Aqui se aborda uma história um tanto universal, mas fortemente calcada na cultura andaluz, que nem sempre encontra correspondência fora da Espanha. O enredo previsível é, em certa medida, terno, como toda história da luta de uma matriarca pelos direitos de seu filho
Lançado na Espanha em meados de 2023, o filme lembra, agora, aos espanhóis da importância da luta pelos direitos LGBTQIA+, especialmente nesse momento, após a revogação, em Madri, de diversas leis que combatiam a discriminação e a violência de gênero, numa reforma promovida no final do ano passado pela presidenta da Comunidade Autônoma de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso.
