Não fosse pela presença de Michael Caine e Glenda Jackson (em seu último filme antes de morrer, no ano passado), A grande fuga seria mera celebração do militarismo britânico. Baseado numa história real, o filme conta com a dupla como protagonistas, elevando um pouco o nível dessa história edificante baseada em fatos reais.
Caine é Bernard Jordan que, aos 89 anos, fugiu da casa de repouso onde morava com a mulher, Irene (Jackson), no sudeste da Inglaterra, para viajar sozinho até a Normandia, onde seriam celebrados os 70 anos do Dia D, em 2014. A história desse homem ganhou a mídia inglesa, e ele ficou famoso e admirado por seu feito.
O diretor Oliver Parker torna a história um tanto melosa, sem muito vigor, embora Caine e Jackson brilhem em momentos – talvez mais ela do que ele. Enquanto Bernard viaja, sua mulher, que mora no mesmo lugar, com a saúde mais debilitada, acompanha de longe a jornada do marido. Ela tem um humor ácido, mas também é generosa e nostálgica.
A nostalgia é o maior problema do filme, que não se contenta com o presente e recorre a flashbacks um tanto óbvios para contar a história de amor entre Bernard e Irene, além das experiências traumáticas dele na guerra. Porém, há alguns poucos momentos de puro cinema, quando o protagonista, num café na Normandia, encontra um grupo de veteranos alemães.
São os raros momentos como esse, que evitam o sentimentalismo patriótico, deixando Caine brilhar. Sem precisar de diálogos, o filme trata da compreensão e conciliação. Outra bela cena é quando Bernard chega à praia da Normandia, no local do desembarque. Seu olhar é nostálgico, mas, por um breve segundo, o medo toma conta desses olhos. Só um ator do porte de Caine consegue fazer isso.
