03/07/2026
Drama

Salamandra

Depois da morte do pai, a francesa Catherine vem para Recife, onde mora sua irmã, para repensar sua vida enquanto passa pelo luto. Ela acaba se envolvendo com um rapaz mais jovem numa estranha relação de dominação.

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A francesa Marina Foïs é uma grande atriz, mas, obviamente, sozinha ela não consegue salvar um filme sem rumo e com escolhas questionáveis. Salamandra é dirigido pelo brasileiro Alex Carvalho e se passa em Recife, onde a personagem dela, Catherine, se muda depois da morte do pai. 

Baseado num romance de Jean-Christophe Rufin, adido cultural do Consulado Geral da França em Recife de 1989 a 1990, o filme tem sérios problemas no ponto de vista pelo qual a história é narrada: o de Catherine, portanto, uma visão europeia sobre o Brasil, marcada por um olhar carregado de clichês visuais e estereótipos humanos até chegar na sexualização exacerbada de corpos negros, no caso, o jovem Gil (Maicon Rodrigues), de quem a francesa se torna amante.

O romance tórrido quase lembra aqueles sub-clássicos dos anos de 1980, quando um homem estrangeiro vinha para o Nordeste brasileiro, onde se envolvia com uma bela jovem, o que servia de desculpa para tórridas cenas de softcore. Aqui, apesar dos gêneros invertidos, a dinâmica é praticamente a mesma. 

É claro que Carvalho tentou introduzir elementos de desconforto nesse ponto de vista da mulher europeia observando e vivendo no Brasil, mas o filme derrapa em todos os clichês. Os personagens, franceses ou brasileiros, não possuem uma característica que os redima. São todos interesseiros, um tanto mesquinhos e individualistas numa chave que nunca flerta com a sátira, ou seja, tudo é levado muito a sério. 

Talvez haja, em algum lugar enterrado nas areias das praias, um olhar mais crítico, mas Salamandra não consegue materializá-lo em quase suas duas horas de duração. Este é o primeiro longa do diretor pernambucano, que enfrenta problemas, mais de ordens ideológicas e formais do que qualquer outra coisa, aqui. Questões com que talvez um diretor ou diretora mais experientes  conseguissem lidar de outra forma. 

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