No documentário Lo que queda en el camino, o diretor alemão Jakob Krese e o brasileiro Danilo do Carmo acompanham uma guatemalteca e seus filhos pequenos tentando cruzar a fronteira dos México com os EUA, em busca de uma (suposta) vida melhor. Mãe solo, acompanhada de suas crianças, Lilian junta-se a uma caravana de milhares.
Ao invés de depoimentos à câmera, passagens comoventes e arriscadas, o filme opta por um olhar mais observacional e, ao mesmo tempo, próximo de sua protagonista e seus quatro filhos pequenos. A partir de tal dispositivo, os diretores fazem parte da jornada dessa mulher. Em lugar de números e afins, as trajetórias pessoais, que são ainda mais reveladoras.
A dupla de diretores dá voz, dessa maneira, à narrativa em primeira pessoa, contando as agruras, os desafios e a resiliência de Lilian. De certa forma, aos poucos uma visão romântica sobre essas pessoas vai se desconstruindo diante da câmera.
A Guatemala, país de origem de Lilian, é a terceira no ranking global de violência doméstica. O abuso por parte de maridos é um dos fatores que levam muitas mulheres, a protagonista inclusa, a deixar o país. Nessa trajetória, a mãe solo, ao longo dos 4 mil quilômetros da viagem, redescobre o sentido de família e comunidade, descobrindo a amizade com outras pessoas na mesma situação que ela.
Lo que queda en el camino observa com delicadeza e rigor técnico e visual essa jornada. Apesar de todas as provações que Lilian e seus companheiros e companheiras de viagem enfrentam, o documentário encontra uma nota de esperança nos laços de afeto que essas pessoas desenvolvem pelo caminho.
