03/07/2026
Drama

Café Teerã

Sohrab Sepehri é um cineasta que foi condenado por fazer um documentário que desagradou o governo do Irã. Enquanto espera o dia em que deve se entregar à justiça, ele toca o pequeno café e conhece uma jovem vizinha que vai até o estabelecimento fazer performances contestadoras. No Belas Artes à la Carte

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Em Café Teerã, o diretor e roteirista Navid Mihandoust parte de uma experiência própria para contar a história do personagem Sohrab Sepehri (Ramin Sayardashti), um cineasta dono de uma cafeteria que acaba de ser condenado por fazer um documentário que desagradou o governo do Irã. Mihandoust passou pela mesma situação, e agora se encontra preso. 

Sohrab é um sujeito pacato que, sem poder fazer filmes, trabalha em seu pequeno café, onde as paredes são decoradas com fotos de cineastas: Krzysztof Kieślowski, sua grande inspiração, Woody Allen, Abbas Kiarostami, Jim Jarsmuch. Ele vive solitário, enquanto sua mulher, Mahgol (Mahsa Mahjour), está na cidade de Isfahan, e ele espera o apelo feito por seu advogado para que sua condenação seja revista. 

À noite, em casa, Sohrab monta um documentário que fez com seu pai, um escritor, interpretado por Masoud Karamati. Os dois não têm muito contato, e é uma surpresa quando recebe uma ligação da polícia dizendo que seu pai foi encontrado morto na garagem do pequeno prédio onde estava morando. É ainda surpresa para o protagonista ver onde o pai vivia: um pequeno cômodo com almofadas, um fogareiro e vários livros. 

No café, tudo muda com a chegada de Berkeh (Setareh Maleki), uma jovem atriz performática que mora em frente ao estabelecimento e um dia, sem mais nem menos, sem nem mesmo conhecer o dono, entra lá com uma pequena jaula, fechando-se dentro dela e dando um endereço onde as pessoas, se se dispuserem, irão buscar a chave para soltá-la daquela prisão. Sohrab fica apreensivo, pois a jovem não tem autorização do governo para a performance e isso pode piorar a situação dele. 

Café Teerã é um pequeno filme repleto de alma que remete tanto ao cinema de Kieślowski, quando ao próprio Kiarostami – o longa que Sohrab está montando lembra muito Lição de Casa, do mestre iraniano, lançado em 1989. Partindo de sua própria experiência, Mihandoust cria um filme com temas universais, como a liberdade de expressão e o poder da arte, sem perder de vista a especificidade da sociedade iraniana. 

O filme faz parte do Festivai de Filmes Incríveis, em SP.
Mais informações sobre o evento e a programação completa

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