03/07/2026
Drama

O auge do humano 3

Acompanhando de forma sensorial grupos de jovens no Siri Lanka, Peru e Taiwan, o filme, rodado em câmera de 360º de realidade virtual, faz um vertiginoso painel do estado das coisas.

post-ex_7

Não fica claro em lugar nenhum se há um bom motivo para o diretor argentino Eduardo Williams ter pulado o volume 2 de sua franquia O auge do humano, e lançar direto o terceiro filme. Mas, no fundo, tanto faz. O longa mantém a mesma estrutura, digamos, flutuante do original, com um tom semidocumental e uma câmera de realidade virtual que capta algumas cenas em 360º que é vertiginoso (especialmente quando gira desgovernadamente) no pior sentido possível. 

Fazendo um nauseante globtrotting, Williams viaja do Siri Lanka a Peru e Taiwan, indo e vindo sem muito avisar onde está, acompanhando o cotidiano de grupos de jovens de 20 e poucos anos, muitas vezes à margem da sociedade. Cada país tem sua peculiaridade, como a vida depois do tsunami no Siri Lanka, ou como viver uma utopia numa floresta peruana, e por aí vai.

Tudo soa aleatório e demanda uma atenção que nem sempre é recompensada à altura. O uso da câmera de VR de 360º cria um belo estranhamento, no início, mas, com pouco mais de 2h de filme, torna-se um mero artifício exibicionista. Acompanhar esses jovens pelas ruas, seus passeios, suas idas e vindas, destituindo-os de identidades é uma das estratégias do diretor, que coloca o papel da tecnologia nas transformações e conduções dessa vidas. 

É uma juventude que contempla o futuro marcado por desastres climáticos e excesso de tecnologia. O porvir é tão abstrato como as imagens do filme, num busca desgovernada de sentido à experiência que não parece ser mais capaz de expressar os sentidos. Dessa forma, o título do longa de Williams pode ser lido como uma ironia, ou talvez não. Talvez ele queira apontar que nesse momento é o auge da humanidade, e daí para frente é ladeira abaixo. 

post